Ministra balança no cargo

Expectativa do governo é que Matilde peça demissão

Vera Rosa e Tânia Monteiro, O Estadao de S.Paulo

31 de janeiro de 2008 | 00h00

A ministra de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro, tem os dias contados no governo. Ela foi chamada ontem para uma reunião de emergência no Palácio do Planalto e teve de passar por uma sabatina, na qual prestou contas sobre suas despesas. A avaliação do governo é que Matilde não resiste nem mesmo a uma investigação da Controladoria-Geral da União (CGU). Mais: para auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Planalto será atingido caso a oposição consiga aprovar no Congresso uma CPI para mexer nesse vespeiro.Matilde foi sabatinada pelos ministros Dilma Rousseff (Casa Civil), Paulo Bernardo (Planejamento), Franklin Martins (Comunicação Social) e Jorge Hage (CGU). No diagnóstico do governo, ela cometeu "grave irregularidade" porque, além de tudo, contrariou a Lei de Licitações ao fazer compras num free shop.O secretário especial da Pesca, Altemir Gregolin, também foi chamado a dar explicações logo depois que Matilde deixou o Planalto. A situação dele, no entanto, é considerada aceitável pelo governo, já que seus gastos com cartão corporativo (R$ 21,6 mil em 58 roteiros de viagens realizadas em 2007) envolveram agendas de trabalho e técnicos da CGU não encontraram irregularidades.O caso de Matilde, porém, é mais complicado. Seu inferno astral começou quando o Estado revelou que no ano passado ela gastou R$ 171,5 mil em viagens, todas pagas com cartão corporativo. Na prática, as despesas equivaleram a R$ 14,3 mil mensais, mais do que o seu salário, que é de R$ 10,7 mil. Para piorar a situação, Matilde também pagou com o cartão uma conta de R$ 461 em um free shop. Depois que a irregularidade veio à tona, a ministra alegou que a despesa havia sido contabilizada por engano e devolveu o dinheiro aos cofres públicos. Não adiantou.A conversa de ontem com Matilde foi tensa. Ela disse que não agiu por má-fé, mas ouviu dos ministros que, mesmo assim, cometeu uma ilegalidade e terá de responder por isso. Seus colegas afirmaram ainda que Lula ficou muito contrariado com o que ocorreu. A expectativa do governo é que Matilde peça demissão nos próximos dias. Seu processo de fritura já começou.Lula está particularmente aborrecido porque foi muito criticado quando decidiu criar a Secretaria Especial de Promoção da Igualdade Racial, antiga reivindicação do movimento negro, e .Para o presidente, a atitude de Matilde dá agora argumentos aos seus adversários, para os quais a secretaria não tem função. A Comissão de Ética Pública, vinculada à Presidência, encaminhou o caso para investigação da CGU.

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