Ministério vai ao Pontal para ver projeto de Rainha

Assessores do ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, e técnicos do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) iniciam nesta terça-feira, 10, uma visita de dois dias ao Pontal do Paranapanema, no extremo oeste de São Paulo, para analisar o projeto de produção de biodiesel proposto pelo líder dissidente do Movimento dos Sem-Terra (MST) José Rainha Júnior. Articulador do "inverno quente", que resultou na invasão de 21 áreas na região nos últimos dez dias, Rainha disse que a organização da luta pela terra vai ficar "de lado" esses dias, para que ele possa retomar a negociação do projeto com o governo federal. "Nossa preocupação é criar um projeto alternativo para as famílias do Pontal que já estão assentadas." Hoje, o a comitiva ministerial se encontra com lideranças dos assentamentos e prefeitos da região em Presidente Epitácio. Na quarta-feira, o grupo visita uma agroindústria de óleo no município de Euclides da Cunha Paulista, com capacidade para 20 mil litros de biodiesel por dia. Rainha disse que o plano inicial, de produzir óleo a partir do pinhão manso, foi adiado para 2008, quando deverá estar concluído o zoneamento ambiental dessa planta. De início, segundo ele, cerca de 1.500 famílias vão cultivar girassol e mamona. Ele pretende negociar um prazo durante o qual as famílias de assentados e pequenos produtores receberão um salário mínimo mensal do governo. "É o prazo de que elas precisam para começar a ter retorno." O governo deverá investir cerca de R$ 50 milhões no projeto em dez anos. No momento em que o governo anuncia que vai rever os repasses de verbas para organizações não-governamentais, entre elas algumas ligadas ao MST, Rainha acha que seu projeto é oportuno. "Apresentamos uma proposta séria, com parceiros sérios." Ele disse, porém, que os valores não estão fechados. "Vai depender das parcerias que pretendemos ter com empresas como a Petrobrás." O líder dos sem-terra disse que gostaria de ter também uma parceria com o governo estadual, mas reclamou da falta de interesse. "Enviamos o projeto para o Itesp (Fundação Instituto de Terras do Estado de São Paulo), mas não deram retorno." Recentemente, Rainha foi condenado a 2 anos e 2 meses de prisão sob a acusação de ter desviado R$ 1,4 mil dos recursos de um assentado. Ele se diz inocente e espera em liberdade o julgamento do recurso.

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