Ministério recebe documentos sobre bloqueio de bens de Dantas

Autoridades britânicas bloquearam US$ 46 milhões do banqueiro, depositado em duas contas de bancos ingleses

Agência Brasil

26 de setembro de 2008 | 13h20

O ministro interino da Justiça, Luiz Paulo Teles Ferreira Barreto, informou que o Ministério da Justiça recebeu nesta sexta-feira, 26,  os documentos do governo britânico com informações sobre o bloqueio de bens do sócio do grupo Opportunity, Daniel Dantas, feito na quinta-feira.   Veja Também:   Especial explica a Operação Satiagraha  Multimídia: As prisões de Daniel Dantas  Daniel Dantas, pivô da maior disputa societária do Brasil   "Esses documentos narram o bloqueio dos recursos e a forma como poderemos fazer a repatriação. Nosso objetivo é, comprovando a vinculação desse dinheiro com o crime, conseguir sua repatriação".   Segundo Barreto o pedido do bloqueio dos bens ao governo britânico foi feito há 15 dias pelo Ministério da Justiça, atendendo a requisição do Ministério Público Federal.   Barreto participa do julgamento dos pedidos de anistia de religiosos vítimas da ditadura militar, que se realiza na sede da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).   Segundo fontes do Ministério da Justiça, o pedido de bloqueio foi feito "há uma semana", quando o Coaf detectou movimentação nas contas, inclusive saques, e alertou o Ministério Público. Por solicitação do MP, o Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional (DRCI) fez o pedido, comprovou a movimentação e foi atendido. "Fomos prontamento atendidos dentro das regras de cooperação jurídica entre os dois países", disse ontem ao Estado o secretário nacional de Justiça, Romeu Tuma Júnior. O governo pretende pedir a repatriação dos recursos.   Com o bloqueio na Inglaterra e o rastreio de mais fundos espalhados por outros países e paraísos fiscais, a Polícia Federal espera retomar o foco original da Operação Satiagraha, que era investigar os negócios financeiros de Dantas por meio do Opportunity Fund Cayman e dos clientes brasileiros, empresários e políticos que, supostamente, usariam o esquema bancário dele para lavar dinheiro e fazer investimentos ilegais dentro e fora do País.   A operação   A Operação Satiagraha, da Polícia Federal, foi deflagrada em julho e prendeu, além do dono do banco Opportunity, o megainvestidor Naji Nahas, o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta, a irmã de Dantas, Verônica; seu ex-cunhado e diretor do Opportunity, Carlos Rodenberg; o diretor Arthur Carvalho; o presidente do grupo Opportunity Dório Fermani; a diretora jurídica Daniele Silbergleid Ninio; a advogada Maria Amália Coutrim; e o funcionário Rodrigo Bhering.   Entre outros crimes, eles são acusados de formação de quadrilha; gestão fraudulenta; evasão de divisas; lavagem de dinheiro e sonegação fiscal. Dantas também irá responder por espionagem e tentativa de corrupção de um delegado cujos primeiros nomes são Vitor Hugo. Foram quatro anos de investigação que culminaram na prisão do financista Nahas e do ex-prefeito. A mulher de Dantas, Maria Alice de Carvalho Dantas, também foi detida.   (Com Sonia Filgueiras e Rui Nogueira, de O Estado de S.Paulo)

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