Ministério quer levar médicos para o interior do País

O Ministério da Saúde volta a recrutar médicos e enfermeiros para trabalhar no interior no País. O Programa de Interiorização do Trabalho em Saúde (Pits), que completou seu primeiro aniversário, será expandido, neste ano, com a criação de 295 novas equipes de médicos e enfermeiros. Os interessados deverão inscrever-se, até 12 de maio, pela Internet, no endereço www.saude.gov.br.Os profissionais atuarão em 119 municípios com menos de 20 mil habitantes, com alta incidência de mortalidade infantil, tuberculose, malária e hanseníase. No ano passado, as cidades selecionadas tinham até 50 mil pessoas. A mudança visa atingir locais onde ainda não existam equipes do Programa da Saúde da Família."Estamos trabalhando com pouco mais de 500 equipes dando assistência a 2 milhões de pessoas. Nossa meta é chegar a 20 mil equipes credenciadas", disse o ministro da Saúde, Barjas Negri, ao lançar a segunda fase do programa. Segundo ele, os novos contratados estarão em campo em 60 dias. "No futuro, pretendemos inserir nas equipes um dentista e um auxiliar de dentista."A bolsa mensal a ser paga para médicos varia de R$ 4.000,00 a R$ 4.500,00. Já para os enfermeiros, ela vai de R$ 2.800,00 a R$ 3.150,00. O valor depende da distância entre a capital e o municípios, e das condições de acesso. Todos os participantes do programa freqüentam curso de especialização em saúde da família. O Ministério da Saúde promete fornecer equipamentos e material de estudo e trabalho aos bolsistas, que poderão ter o contrato prorrogado por mais um ano.Piloto A maioria dos participantes da primeira edição do programa quer continuar o trabalho. Segundo o ministério, 93% dos médicos e enfermeiros consultados querem a renovação do contrato. Eles receberão um adicional de 10% sobre a bolsa atual. Apenas 23% dos médicos e 7% dos enfermeiros desistiram do programa, argumentando problemas pessoais e de saúde. O ministério gostou do resultado, diante das dificuldades de acesso e a situação precária nos municípios. A médica Dalida Leite Fahd, 36 anos, que já participa do Pits, quer continuar em Catugi (MG), um dos mais pobres municípios mineiros. Ela tem enfrentado resistências da população quanto ao novo modelo de trabalho, e as dificuldades de um município com poucos recursos. "A comunidade não tem ambição", surpreendeu-se a médica, ao descobrir que essas pessoas pobres não acreditam merecer um tratamento qualificado. Para a médica, é muito valioso quando convence as pessoas de que elas têm direito à assistência médica. Dalida tem tido todo o apoio necessário para o bom funcionamento do programa. Ao contrário dela, a enfermeira Silvana Rezende Monteiro, 37 anos, lotada em Aricanduva (MG), queixa-se da falta de apoio da prefeitura. Além disso, conta ter enfrentado diferenças culturais e dificuldades de comunicação com a comunidade: "O que me segura no programa é a oportunidade de fazer uma pós-graduação e a segurança de o pagamento sair direto do ministério."

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