Ministério Público veta amputação e libera ritual

Em busca de aliar os cuidados médicos de um hospital ao tratamento tradicional da etnia tucano, a família de uma garota indígena recorreu ao Ministério Público Federal para impedir a amputação do pé da menina e garantir que os pajés pudessem fazer seus rituais de cura.No dia 18 de março, o Ministério Público Federal faz em Manaus uma audiência pública com a participação de médicos, antropólogos e procuradores da República com o mote no caso de L. O evento, diz a procuradora Luciana Portal Gadelha, é para discutir sobre o plano da construção em Manaus de um centro de referência que una os dois conhecimentos, o médico e o indígena. L.T.B., de 12 anos, teve o pé picado diversas vezes por uma jararaca no início de janeiro, quando procurava iscas para a pesca. Seus pais, desesperados, remaram quase três horas para o posto médico em busca do soro antiofídico. Sempre acompanhados por um pajé, ao chegar ao município de São Gabriel da Cachoeira, a 1.215 quilômetros de Manaus, foi decidido que iria ser transferida para a capital amazonense, depois de ser medicada.Em Manaus, os pajés foram impedidos de rezar e fazer seus rituais. Uma semana depois de internada, os pais da garota procuraram o Ministério Público Federal. A procuradora Luciana Gadelha proibiu a amputação.Segundo a procuradora, no dia seguinte a direção do hospital não aceitou a proposta de o tratamento continuar em paralelo com o dos rituais dos pajés, já que consideravam a amputação urgente e necessária. "Conseguimos um outro hospital, onde o tratamento em paralelo seria permitido", conta ela.A amputação do pé direito da indígena foi descartada. O diretor do Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV), Raymisson Monteiro, disse que L. ainda ficará mais uns seis meses internada até que esteja totalmente curada.

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