Ministério Público quer independência do governo

Decididos a participar da escolha do futuro chefe do Ministério Público Federal e romper o chamado ?atrelamento da instituição ao governo?, os procuradores da República vão promover quarta-feira uma inédita consulta à classe, por meio da qual pretendem compor uma lista tríplice com nomes indicados para o cargo de procurador-geral. A lista será entregue ao presidente Fernando Henrique Cardoso, a quem a Constituição confere poder de nomear o procurador-geral. O voto é secreto. Os 556 procuradores vão entregar às 82 mesas instaladas nos prédios-sede do MPF em todo o País as cédulas com os três nomes de sua preferência.São ?elegíveis? todos os procuradores na ativa com mais de 35 anos. Não houve inscrição de candidatos e a iniciativa provocou imediata reação de um grupo de subprocuradores-gerais que não aceitam ter seus nomes lançados nas cédulas da consulta. O resultado será conhecido dia 9 e imediatamente encaminhado a FHC e aos presidentes do Legislativo e do Judiciário.A consulta empolgou os procuradores. Eles afirmam que a pesquisa não representa um desafio à autoridade do presidente, e defendem ?uma instituição independente?.A lista tríplice é uma aspiração antiga da categoria, aprovada como diretriz pelo Colégio de Procuradores em fevereiro de 2000. O presidente da Associação Nacional dos Procuradores da República, Carlos Frederico, disse que ?a categoria não quer afrontar e nem tirar das mãos do presidente a atribuição de nomear o procurador-geral?. O líder dos procuradores sustenta que o objetivo ?é democratizar o processo e abrir um debate sobre o perfil do nome que a classe considera ideal?. O atual chefe do MPF é o procurador Geraldo Brindeiro, que está no cargo desde 1996. No dia 28 de junho termina seu terceiro mandato consecutivo, mas nada impede que ele permaneça no comando da Procuradoria-Geral por mais dois anos.

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