Ministério Público pede quebra de sigilo da família Maluf

Ministério Público Estadual requereu liminarmente a quebra do sigilo bancário, fiscal e financeiro do ex-prefeito Paulo Maluf (PP) e de outras 15 pessoas físicas e jurídicas que teriam sido beneficiárias de investimentos ou movimentado recursos supostamente desviados do Tesouro de São Paulo. Por meio de ação cautelar de exibição distribuída para a 4.ª Vara da Fazenda Pública, a Promotoria de Justiça da Cidadania pediu acesso aos dados de Maluf e dos outros investigados relativos ao período de janeiro de 1993 até agora.Além do ex-prefeito, são citados como réus a mulher dele, Silvia, os 4 filhos do casal Maluf ? Flávio, Lígia, Lina e Otávio ?, uma nora, Jaqueline Coutinho, e um genro, Maurílio Curi. Empresas estabelecidas no exterior também são alvo da apuração. Seus nomes foram revelados na documentação que a Suíça enviou ao Brasil em março. Umas delas, a Blue Diamond, foi constituída nas Ilhas Cayman e movimentou contas no Citibank de Genebra, das quais o ex-prefeito seria o único beneficiário.Os promotores Silvio Marques e Sérgio Sobrane esperam que o Banco Central identifique eventuais operações feitas pelas empresas estrangeiras em território nacional. Os dois pretendem entrar com ação de responsabilidade civil contra Maluf por atos de improbidade administrativa. ?O objetivo dessa medida é provar a desproporção entre o patrimônio e a renda do ex-prefeito?, explicou Marques. Ele reconheceu que ?a Prefeitura está realmente empenhada? na contratação de escritório de advocacia na Inglaterra para tentar repatriar o dinheiro que Maluf teria transferido de Genebra para a Ilha de Jersey. A contratação será feita pela Advocacia-Geral da União, que firmou convênio com a Prefeitura.Os promotores têm 230 mil cópias de documentos, entre os quais 8 mil cheques, reunidos na primeira etapa da devassa ? 47 empresas e pessoas físicas já tiveram sigilo desbloqueado, incluindo doleiros. O trabalho compreende análise financeira de obras da gestão Maluf, a Avenida Água Espraiada e o Túnel Airton Senna. A perícia é executada por cinco técnicos do Ministério Público, que quer ligar o dinheiro de Maluf em paraísos fiscais com suposto desvio de verbas do Tesouro.Para Adilson Laranjeira, assessor de imprensa de Maluf, a ação ?é mais uma sem fundamento, igual àquelas que sempre aparecem a cada eleição?. Ele chamou o promotor de ?desqualificado?, acusando-o de ?inventar mais uma ação de cunho unicamente eleitoreiro?. Segundo o assessor, Marques ?parece estar mais a serviço de partidos políticos do que à verdade, com atos de ridícula pirotecnia política?. Marques disse que vai tomar ?providências cabíveis no tempo certo?. E lembrou que Maluf e outros citados na investigação já perderam 25 recursos.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.