Wilton Júnior|Estadão
Wilton Júnior|Estadão

Ministério Público pede para leiloar lancha, joias e casa de Cabral em Mangaratiba

Intenção dos procuradores é vender os bens considerados de difícil manutenção, que geram despesas, e poderiam perder valor de mercado ou se deteriorar

CONSTANÇA REZENDE e MARIANA SALLOWICZ, Impresso

04 de fevereiro de 2017 | 19h28

RIO - Um dos símbolos dos anos de ostentação do ex-governador Sérgio Cabral no Rio, sua casa de veraneio em um condomínio de luxo em Mangaratiba, no litoral sul fluminense, entrou na mira da força-tarefa da Lava Jato no Estado. Os procuradores que conduzem a investigação no âmbito do Ministério Público Federal pediram à Justiça o leilão antecipado de bens do peemedebista, de sua mulher Adriana Ancelmo e do operador Carlos Miranda, todos presos na Operação Calicute.

Na lista obtida pelo Estado também estão a lancha Manhattan, avaliada em R$ 5 milhões, joias comprada pelo casal (avaliadas em cerca de R$ 2 milhões) e uma fazenda em Paraíba do Sul (RJ), pertencente a Miranda.

A intenção dos procuradores nos pedidos é vender os bens considerados de difícil manutenção, que geram despesas, poderiam perder valor de mercado ou se deteriorar. A medida terá de ser aprovada pela 7.ª Vara Federal Criminal do Rio, onde correm os processos da Lava Jato, e pode ser alvo de recurso por parte dos réus. Caso aprovado o leilão, o dinheiro arrecadado será depositado em uma conta judicial.

“Se ganhar a causa, o réu terá o valor depositado restituído, acrescido dos rendimentos, mas se perder a demanda, esse valor será revertido em favor do poder público”, dizem os procuradores nas petições, uma relativa ao casal, outra a Miranda. De qualquer forma, o dinheiro só poderá ser utilizado após o fim do processo.

Festas. A casa de Cabral em Mangaratiba fica no resort no Portobello. Nela, o peemedebista costumava dar festa com políticos e empresários, além de reunir amigos em datas comemorativas. Outros imóveis à venda hoje no condomínio têm valor anunciado de até R$ 15 milhões, levantou o Broadcast. Uma das dificuldades na manutenção da casa é o pagamento do condomínio - um dos imóveis no local tem taxa mensal de R$ 2.600, por exemplo.

"Os benefícios da alienação são muitos, mas o principal é a economia para o poder público com o custo e manutenção de depósitos judiciais, e para o réu a manutenção do valor de mercado de seu bem", dizem os procuradores no documento com pedido de alienação dos bens do casal. Nele, pedem uma avaliação judicial dos bens.

A lancha Manhattan era utilizada com frequência pelo ex-governador e sua família em passeios por Mangaratiba, apesar de estar em nome de Paulo Fernando Magalhães Pinto Gonçalves, ex-assessor do ex-governador, também preso na Calicute. Ela ficava guardada na marina também no Portobello e tem sua real propriedade atribuída a Cabral. A Força-Tarefa recuperou 40 joias de Cabral quando foi desencadeada a Operação Calicute, em dia 17 de novembro. Elas foram avaliadas em cerca de de R$ 2 milhões.

Também podem ir a leilão três automóveis do casal. São dois jipes e um Hyundai Azera. Há ainda um jet boat (espécie de lancha) e uma moto aquática.

No caso da fazenda de Miranda, os procurados destacam, no pedido de leilão, a alegação feita pelo próprio operador de Cabral de que a propriedade Três Irmãos, em Paraíba do Sul, é de difícil manutenção. Os gastos da fazenda eram custeados com os ganhos da venda de leite para a Nestlé e rendimentos de aplicações financeiras.

Numa petição encaminhada à Justiça, o operador afirmou que o rebanho bovino é composto por 29 vacas em lactação, 17 vacas em regime pré-parto, 14 novilhas de recria e cinco bezerras de cria. Há ainda um rebanho de cabras com dois bodes, 25 cabras em lactação, 29 cabras secas e 16 cabritas, todos da raça Saanen. O MPF quer que vá a leilão também três carros, uma moto, além de joias apreendidas de Miranda.

Os pedidos de alienação antecipada foram feitos pelo MPF em janeiro à 7ª Vara Federal Criminal do Rio, que pediu aos procuradores a especificação dos veículos dos réus. Esse levantamento está sendo feito pela força tarefa e, após entregue, a decisão na Justiça sobre o pedido de leilão pode sair.

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