Ministério Público e representantes afro querem processar Universal

O Ministério Público Estadual, o Centro de Estudos Afro Orientais (Ceao) e Federação Nacional do Culto Afro Brasileiro pretendem processar a Igreja Universal do Reino de Deus na Bahia, sob o argumento que seus membros praticam discriminação religiosa nos programas de rádio e televisão da seita. No programa Ponto de Luz, exibido pela TV Itapoan (Record), o bispo Sérgio Correa costuma criticar o candomblé, ligando a religião afro a práticas de feitiçaria e adoração ao demônio.Por causa das denúncias das entidades ligadas ao culto afro, o promotor de Justiça e Cidadania do Ministério Público da Bahia, Lidivaldo Brito, que já encaminhou à Justiça baiana nos últimos anos quatro denúncias contra evangélicos pelo mesmo motivo, os ataques ao chamado "povo de santo", requisitou à TV Itapoan as fitas de várias edições do Ponto de Luz. Num dos programas, exibido na semana passada, Correa apresentou uma suposta ex-mãe-de-santo arrependida que disse ter feito um "trabalho" com o objetivo de matar uma pessoa. Em 2001, o promotor Brito comprovou que membros da Igreja Batista Lírios do Campo estavam distribuindo panfletos em plena Festa de Iemanjá, (uma das mais populares da Bahia) associando a orixá, considerada a Rainha das Águas pelo candomblé, ao demônio. Apesar das inúmeras denúncias, a Justiça baiana ainda não puniu ninguém.Conflito religioso começou na década de 80Essa guerra religiosa não é nova. Ela teve início no momento em que a Universal começou a se expandir na Bahia no final da última década de 80. No inicio dos anos 90, até mesmo o então cardeal-arecebispo de Salvador Dom Lucas Moreira Neves, considerado um crítico do sincretismo religioso baiano, fez veemente defesa do culto afro após vários ataques desferidos pelos evangélicos na época. A atuação dos pastores já incentivou freqüentadores dos cultos evangélicos a invadir templos de candomblé, como ocorreu no final de 2001, quando um grupo xingou e ofendeu seguidores de dois terreiros, um situado no Bairro de Castelo Branco e outro em Vila Roque. A agressão considerada mais grave ocorreu no Vila Roque, onde adeptos da seita Igreja Internacional da Graça de Deus invadiram o terreiro gritando as condenações típicas usadas pelos evangélicos contra a religião afro e jogaram sal e enxofre no local. Representantes do culto afro, como o diretor do Ceao, historiador Ubiratan Castro, acreditam que, se a Justiça não colocar um freio nesse processo, pode haver um conflito aberto de grandes proporções.

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