Ministério Público do Trabalho entra com ação contra irmãos Mânica

O Ministério Público do Trabalho (MPT) ajuizou ação civil pública contra os fazendeiros Noberto Mânica, Luiz Antônio Mânica, Celso Mânica - maiores produtores de grãos da região de Unaí, em Minas Gerais -, o agenciador José Iomar Pereira dos Santos e o Condomínio de Empregadores Rurais Norberto Mânica por descumprimento da legislação trabalhista. Os fazendeiros são acusados de irregularidades, inclusive a manutenção de empregados nas propriedades em condições semelhantes à de escravos.Os procuradores se basearam em relatórios do auditor Nelson José da Silva, vítima da chacina em que morreram ainda outros dois fiscais e um motorista do Ministério do Trabalho, em janeiro deste ano. Norberto Mânica e seu irmão, candidato a prefeito de Unaí pelo PSDB, Antério Mânica, foram denunciados como os mandantes das execuções. Eles estão presos na penitenciária Nelson Hungria, em Contagem, região metropolitana de Belo Horizonte.Segundo a Procuradoria Regional do Trabalho, Nelson José da Silva vinha fiscalizando e multando as fazendas na região desde 1999. Em um dos relatórios, de janeiro de 2003, o auditor denunciou que estava impossibilitado de apurar integralmente as irregularidades por motivo de ameaças e embaraço à fiscalização.Na ação civil pública, os procuradores pedem que os irmãos Mânica paguem a quantia de R$ 3 milhões por danos causados à coletividade de trabalhadores rurais, montante que deverá ser recolhido ao Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). Pelo mesmo motivo foi solicitado que José Iomar Pereira dos Santos - agenciador de mão-de-obra da família Mânica, conhecido como "Zé Goiás" - pague um valor de R$ 300 mil.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.