Ministério Público deve pedir prisão de Maluf

O ex-prefeito de São Paulo, Paulo Maluf, deve ter a prisão requerida à Justiça pelo Ministério Público Federal. Os procuradores que o investigam avaliam que sua prisão é necessária diante da "magnitude da lesão causada ao Tesouro". Documentos liberados pelo Tribunal de Genebra comprovam que ele é o principal beneficiário de US$ 446 milhões depositados em bancos da Suíça, montante que teria sido desviado de obras públicas. O ex-prefeito garantiu que não irá sair de São Paulo. "Não vou fugir", disse ao Estado. Na tarde de quinta-feira, chegou às mãos da juíza Sílvia Rocha, da 2ª Vara Criminal da Justiça Federal, a mais pesada denúncia criminal já apresentada contra Maluf, formalmente acusado de prática de quatro crimes: peculato, sonegação, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. Se processado e condenado, o ex-prefeito pode chegar até 36 anos de cadeia.Maluf não se conforma com o possível pedido de sua prisão. "Por que me perseguem? Não tenho processo, não tenho uma única condenação penal em 37 anos de vida pública". O ex-prefeito de São Paulo quer foro privilegiado. Seus advogados entregaram duas reclamações ao Supremo Tribunal Federal alegando que ele só poderia ser processado criminalmente pelo Tribunal Regional Federal e civilmente pelo Tribunal de Justiça do Estado, que na quinta manteve o bloqueio de seus bens. Se tiver a prisão determinada, Maluf se entregará imediatamente à PF, acatando recomendação de seus advogados. Ele quer evitar o constrangimento de ter a polícia vasculhando sua casa. Além disso, os advogados consideram que uma apresentação espontânea reforçaria a argumentação de que ele não tem pretensões de prejudicar o curso do processo.

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