Ministério Público descobre plano para assassinar procurador e juiz

Em Alagoas, Souza anuncia proteção a autoridades da Operação Carranca

Ricardo Rodrigues, O Estadao de S.Paulo

09 de fevereiro de 2008 | 00h00

O Ministério Público Federal de Alagoas descobriu um suposto plano para assassinar o procurador da República Rodrigo Tenório e o juiz federal Rubens Canuto Neto. Um pistoleiro teria sido contratado por R$ 50 mil para executar o serviço. O procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza, foi até Maceió ontem comunicar a descoberta e dizer que Tenório e Canuto Neto estão sob forte esquema de segurança."Não será o afastamento dos dois que influenciará nas investigações em que eles estão envolvidos", disse Souza. Ele afirmou que a trama é investigada pela Polícia Federal desde o fim de janeiro, mas só agora foi revelada, como "medida profilática, para mostrar que nem o Ministério Público nem a magistratura federal se intimidam diante de ameaças do tipo".Tanto Tenório como Canuto Neto - que é titular da 8ª Vara Federal e filho do deputado federal Carlos Alberto Canuto (PMDB-AL) - atuaram na Operação Carranca e no desbaratamento de uma quadrilha de assaltantes de cargas, liderada pelo presidiário Agilberto Junior dos Santos, conhecido como Júnior Tenório.O Ministério Público não divulgou detalhes sobre as investigações nem se já tem pistas dos mandantes e dos motivos. Durante a entrevista, o procurador-geral disse apenas que a PF já tem pelo menos três suspeitos das ameaças, mas não poderia revelar seus nomes para não prejudicar as investigações.Souza disse que ameaças foram feitas diretamente ao magistrado e ao procurador da República. "Os pistoleiros receberiam R$ 50 mil pelo serviço", revelou o procurador-chefe da Procuradoria da República em Alagoas, Paulo Roberto Olegário de Sousa.O superintendente da PF em Alagoas, José Pinto Luna, disse apenas que o plano teria sido descoberto em 29 de janeiro e a polícia foi informada logo no início, mas não poderia revelar nada sem a autorização do Ministério Público. "Por enquanto ainda estão levantando as primeiras informações, mas na medida em que as investigações forem se aprofundando vamos chegar aos autores dessa trama assassina", destacou Luna.O procurador-chefe em Alagoas disse acreditar que o crime foi encomendado por causa do exercício das funções do juiz e do procurador, que estão lotados na comarca de Arapiraca e já desbarataram várias quadrilhas de roubos de cargas no Estado.MOTIVO POLÍTICONo entanto, segundo ele, não está descartada a possibilidade de serem ameaças políticas, já que os dois participaram das investigações da Operação Carranca, que em outubro de 2007 prendeu vários políticos e empreiteiros acusados de desvio de recursos federais destinados a realização de obras públicas, por meio de fraude ao processo de licitação e contratação de "empresas laranjas".O prejuízo com as fraudes chegou a R$ 20 milhões. Entre as prefeituras investigadas estava Murici, cujo prefeito é Renan Calheiros Filho, filho do senador Renan Calheiros (PMDB-AL).

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.