Ministério Público denuncia mais 5 como sanguessugas

Com isso, chega a 166 o número de acusados de envolvimento com esquema das ambulâncias

Nelson Francisco, CUIABÁ, O Estadao de S.Paulo

07 Setembro 2012 | 00h00

O Ministério Público denunciou ontem mais cinco ex-deputados por envolvimento com a quadrilha dos sanguessugas, desbaratada em maio de 2006 por uma operação da Polícia Federal. Com a inclusão dos ex-deputados João Correia Lima Sobrinho (PMDB-AC), João Batista dos Santos (PT-MS), Rubeneuton Oliveira Lima (DEM-SP), Vanderlei Assis de Souza (Prona-SP) e Édna Bezerra Sampaio (sem partido-SP), o total de acusados passou para 166, entre ex-deputados, prefeitos, empresários e funcionários públicos.Boa parte dos suspeitos de ligação com a máfia está sendo ouvida na Justiça Federal em Cuiabá, que acolheu denúncia dos procuradores de Mato Grosso. À PF e à Justiça, os empresários Darci e Luiz Antônio Vedoin, pai e filho, acusados de liderar o esquema, confirmaram o pagamento a parlamentares de propina de 10% a 15% sobre o valor de cada emenda apresentada ao Orçamento da União para compra superfaturada de ambulâncias e equipamentos hospitalares.A quadrilha teria desviado R$ 110 milhões da União, a partir de 2001, por meio da empresa Planam. Deflagrada no ano passado, a Operação Sanguessuga prendeu 46 pessoas em Mato Grosso, Acre, Paraná, Distrito Federal, Amapá e Goiás.Segundo as investigações do Ministério Público e da PF, a quadrilha atuava em três fases. Primeiro, procurava parlamentarem para apresentar emendas ao orçamento favoráveis ao grupo. Depois, vinha a execução orçamentária e a assinatura de convênios com municípios que participavam do esquema. Por último, havia liberação dos recursos e pagava-se a propina aos envolvidos.O delegado da PF José Maria Fonseca, contou que hoje existem 70 inquéritos sobre fraudes em licitações para a compra de equipamentos hospitalares só em Mato Grosso. Segundo ele, as investigações devem ser concluídas em dois meses.No mês passado, o ex-deputado Lino Rossi (PP-MT), réu em processo por corrupção passiva, lavagem de dinheiro, fraude em licitação e formação de quadrilha, foi preso pela PF. Ele é apontado como operador da máfia e seria encarregado de cooptar parlamentares. Seu nome foi citado 108 vezes por corrupção na denúncia.REAÇÃOProcurados pelo Estado, os ex-deputados João Correia, Rubeneuton e Vanderlei Assis não foram localizados. Édna Bezerra Sampaio disse que, se o processo chegou a esse estágio, era de se esperar a denúncia. Mas afirmou que não tem nada a esconder e seu passado não deixa dúvidas sobre sua honestidade. "Quem lava dinheiro deve ficar, no mínimo, milionário. Saí da política do mesmo jeito que entrei, não enriqueci lícita nem ilicitamente."João Batista disse que ainda não foi notificado e soube da denúncia pela imprensa. "Minha linha de defesa vai continuar a mesma que meus advogados definiram no Conselho de Ética." COLABOROU PAULO DARCIE

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