Ministério Público denuncia coronel Ustra pela terceira vez

Ex-comandante do DOI-Codi agora é acusado pela ocultação de cadáver de estudante morto em 1972

Lilian Venturini - O Estado de S.Paulo

29 Abril 2013 | 19h11

O Ministério Público Federal (MPF) apresentou nesta segunda-feira, 29, à Justiça Federal de São Paulo nova denúncia contra coronel reformado Carlos Alberto Brilhante Ustra por crime de ocultação de cadáver. Esta é a terceira ação do MPF contra Ustra por crimes praticados durante o regime militar.

 

Neste caso, o coronel é acusado de falsificar os documentos de registros da morte e de enterrar clandestinamente o corpo do estudante de medicina Hirohaki Torigoe, de 27 anos. Ele morreu no dia 05 de janeiro de 1972. É denunciado também nesta ação o delegado aposentado Alcides Singillo, que atuou no Departamento de Ordem Política e Social de São Paulo (Deops) naquele período.

 

Segundo a denúncia, como os restos mortais de Torigoe ainda não foram localizados, o crime permanece em aberto e, por isso, não é coberto pela Lei da Anistia, válida apenas para casos ocorridos entre 1961 e 1979. Além da morte do estudante, o MPF apura a ocultação de corpos de outros 15 mortos. "Esses casos mostram que havia um padrão na forma de ocultar cadáveres por meio de sepultamento clandestino e do uso de nomes falsos", explica o procurador Sergio Gardenghi Suiama, um dos responsáveis pela denúncia.

 

Para o advogado de defesa de Ustra, Paulo Alves Esteves, a denúncia é "mera alegação" e não deve avançar na Justiça, já que, em sua avaliação, não há provas de que o coronel tenha falsificado os documentos sobre a morte do estudante.

 

Sequestro. As outras duas denúncias contra Ustra são pelos crimes de sequestro do ex-marinheiro Edgar de Aquino Duarte, em 1971, e do bancário Aluízio Palhano Pedreira Ferreira, desaparecido desde 1971.

 

 

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