Ministério Público decide abrir mais três inquéritos

A Operação Satiagraha não acabou. A Procuradoria de República decidiu pela abertura de mais três inquéritos para apurar supostas irregularidades do Opportunity. As diligências devem aprofundar a participação de pessoas já investigadas e que até agora não foram denunciadas, como a do ex-deputado Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP), acusado pela PF de fazer lobby no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) "para satisfação dos interesses mútuos e pessoais".Os federais afirmaram que Greenhalgh "em verdade, no contexto geral, seria o homem de ligação entre pessoas do Poder Executivo Federal, empresas estatais (BNDES) e o D. Dantas". Caso contundente é o da interceptação realizada pelos agentes da Satiagraha, que apontou para um contato entre o ex-deputado e o assessor especial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Gilberto Carvalho, que se compromete a buscar informações com o diretor-geral da PF, delegado Luiz Fernando Correa. O tema da conversa é a investigação sobre o Opportunity. Além disso, o ex-deputado teria participação na criação da supertele Br-Oi, que também será investigada. A apuração tem como objetivo descobrir se houve crime financeiro na compra da Brasil Telecom por parte da Oi. A empresa pagou R$ 5,37 bilhões pelo equivalente a 61,2% do capital votante da BrT em janeiro deste ano. De acordo com a PF, Greenhalgh estava associado a Guilherme Henrique Sodré Martins e ao ex-diretor da BrT, Humberto Braz. Segundo a PF, Greenhalgh, Martins e Braz atuavam como "três mosqueteiros" a serviço de Dantas."A conduta dos três soa como figuras lendárias dos três mosqueteiros desempenhando atividades a serviço do rei, qual seja, identificamos naquele festejado grito de guerra ?um por todos e todos por Daniel Dantas?, com a finalidade de desviar recursos via BNDES, com a colaboração de integrantes do poder público a ser investigado em outro momento, num trabalho desempenhado quase perfeito com estratégias e relações que ultrapassam os limites da ética, da moralidade e da legalidade", anotou a PF.A procuradoria também pediu investigação sobre Carlos Rodenburg, que comanda o braço agropecuário do grupo, composto pela empresa Agropecuária Santa Bárbara Xinguara. Dantas é dono de fazendas no Pará, com cerca de 550 mil hectares e 450 mil cabeças de gado, que segundo investigação federal servem supostamente para lavagem de valores.

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