Ministério Público de MG investigará patrimônio de suplente de Itamar

Zezé Perrella, do PDT, que também preside o clube de futebol Cruzeiro, teria ocultado fazenda avaliada em R$ 60 milhões

Eduardo Kattah, de O Estado de S. Paulo

31 de maio de 2011 | 19h15

BELO HORIZONTE - O Ministério Público de Minas Gerais instaurou procedimento investigatório para analisar a evolução patrimonial do ex-deputado e suplente de senador, José de Oliveira Costa, o Zezé Perrella (PDT). Mais conhecido por presidir o Cruzeiro, Perrella é o primeiro suplente do senador Itamar Franco (PPS), que se licenciou para tratar de uma leucemia diagnosticada recentemente.

 

A Promotoria de Defesa do Patrimônio Público do MP Estadual (MPE) abriu investigação com base em reportagem do jornal Hoje em Dia, segundo a qual Perrella ocultou de seu patrimônio uma fazenda localizada em Morada Nova de Minas (MG) e avaliada por corretores em cerca de R$ 60 milhões.

 

A Fazenda Guará é uma filial da empresa Limeira Agropecuária e Participações Ltda., cujas cotas foram transferidas para três filhos (95%) e um sobrinho de Perrella. O ex-deputado alega que transferiu as cotas há oito anos e rechaça as suspeitas. Na última declaração de bens entregue ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE), Perrella informou patrimônio de R$ 490 mil. Na eleição de 2006, quando foi eleito deputado estadual, o presidente do Cruzeiro declarou à Justiça Eleitoral bens no valor de R$ 724,5 mil.

 

O Estado solicitou a declaração de bens de Perrella em 2002 - quando concorreu ao Senado - mas até o início da noite o TSE não havia informado os dados.

 

Eleito deputado estadual no ano passado, um dos filhos do presidente do Cruzeiro, Gustavo Perrella, declarou à Justiça Eleitoral patrimônio de R$ 1,9 milhão, sendo que R$ 900 mil se referiam às cotas ou quinhões de capital da Limeira Agropecuária. Em maio do ano passado, a PF abriu inquérito para investigar suposto enriquecimento ilícito do ex-deputado e de seu irmão, Alvimar de Oliveira Costa, que também já presidiu o clube mineiro. Ambos são suspeitos de lavagem de dinheiro e evasão de divisas na venda do zagueiro Luisão para o exterior. Estava na mira da PF outra negociação vultosa: a venda do volante Ramires para o Benfica, também em 2010.

 

Indústria. Ao Estado, Perrella negou qualquer ilegalidade na venda dos atletas e classificou como "uma perseguição" a notícia envolvendo seu patrimônio. De acordo com o ex-deputado, a Limeira Agropecuária foi criada há 22 anos e a fazenda adquirida há 14 anos por R$ 1,5 milhão. Ele disse que depois anexou à propriedade outras quatro fazendas vizinhas - compradas por R$ 2 milhões -, que somavam 3,6 mil hectares.

 

Perrella alega que a valorização do imóvel nos últimos anos se deve às benfeitorias e à "indústria agrícola" que montou no local. "Eu construí esse empreendimento a partir de terras que valiam muito pouquinho", afirmou. "Claro que vale isso (cerca de R$ 60 milhões). Ela fatura por ano R$ 20 milhões. Eu montei uma indústria de suínos lá dentro."

 

O suplente de senador garantiu que declarou ao Imposto de Renda a doação das cotas da Limeira Agropecuária. "Nunca fui condenado em absolutamente nada. Temos de partir da presunção da inocência. Se eu tivesse ficha suja eu seria suplente de um ex-presidente da República?", questionou.

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