Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Ministério foi definido a minutos da posse

Integração Nacional e Minas e Energia foram as últimas pastas a terem titulares escolhidos

Pedro Venceslau / Enviado especial a Brasília, O Estado de S.Paulo

16 de maio de 2016 | 05h00

Depois de passar a madrugada da última quarta para quinta-feira negociando com lideranças partidárias no Palácio do Jaburu, residência oficial da vice-presidência, o presidente em exercício Michel Temer concluiu a sua equipe ministerial 15 minutos antes de entrar no carro e partir para o Palácio do Planalto, onde realizou a cerimônia conjunta de posse, à tarde.

Até o último momento a equipe do peemedebista não sabia se teria tempo para elaborar a minuta do documento que seria assinado pelos 23 escolhidos. Temer, que preza pela pontualidade, teve, então, de atrasar o ato de posse.

Os batedores já estavam a postos, mas ainda faltava desatar nós que culminariam na escolha de dois jovens filhos de políticos tradicionais: o paraense Helder Barbalho (PMDB), cujo pai é o senador Jader Barbalho, e o pernambucano Fernando Bezerra Filho (PSB), filho também senador Fernando Bezerra Coelho.

As duas pastas em aberto eram Minas e Energia e Integração Nacional. Virtual secretário de Governo naquele momento, Geddel Vieira Lima (PMDB) era o mais tenso no Jaburu.

Com a Esplanada mais enxuta, ele precisava garantir tranquilidade na etapa final do impeachment no Senado, já que ao longo da madrugada a equação da Câmara fora resolvida na composição do Ministério.

Coube a Geddel pacificar o próprio PMDB nos instantes finais que antecederam a posse. Segundo relatos de aliados de Temer que estavam no Palácio do Jaburu, Eunício Oliveira (CE), líder do PMDB no Senado, queria emplacar um aliado, Gaudencio Lucena, vice-prefeito de Fortaleza, na Integração Nacional, um dos ministérios com mais capilaridade de ação na região Nordeste.

Em caráter reservado, um aliado próximo a Temer diz que Eunício deixou clara a sua preferência, mas não mostrou disposição para brigar pela indicação, já que pretende disputar a presidência da Casa e não pode perder possíveis votos.

As bancadas do PSB nas duas casas, porém, também reivindicavam o ministério da Integração Nacional. A solução foi passá-la para o PMDB do Senado e redirecionar Minas e Energia para o Partido Socialista Brasileiro, que topou o acerto.

Seria a saída natural, mas governadores e dirigentes da sigla eram contra a participação no governo. Para não correr risco, Temer pediu que a indicação de Fernando Bezerra Filho para Minas e Energia fosse feita em caráter formal pelas bancadas pessebistas, por meio de uma nota. E o relógio corria.

Em outra frente, o senador Renan Calheiros (AL), presidente do Senado, sugeriu o senador Eduardo Braga (AM) na Integração. O problema de Braga era que ele se ausentou da votação do impeachment no Senado, o que irritou o núcleo duro de Temer.

A escolha de Helder, filho de Jader Barbalho, foi uma maneira de garantir o apoio do senador paraense na votação final do impeachment, que deve ocorrer em até 180 dias.

Como Renan não demonstrou disposição de insistir na indicação de Braga e Eunício na de seu padrinho, Helder ficou com o posto. “O Eunício e o Renan jamais iriam contra uma indicação do Jader. Eles não querem briga”, relata um peemedebista. O convite oficial para Helder, o penúltimo ministro escolhido, ocorreu por volta das 16h30. A posse estava marcada para 17hs. A essa altura, o gabinete de Temer já havia divulgado uma lista com 21 ministros que tomariam posse.

O desfecho parecia próximo, mas Temer insistia na nota do PSB e ela só chegou quando ele estava prestes a entrar no carro.

Durante todo o processo de negociação, que foi marcado por idas e vindas de nomes e mudanças de estratégia, o então vice-presidente insistiu com os negociadores das legendas que procurassem mulheres entre seus quadros.

No caminho até o Palácio do Planalto, Temer ainda comentou com aliados que gostaria de contar com uma mulher na equipe. Ele pediu aos interlocutores dos partidos que procurassem com carinhos seus melhores quadros femininos.

Segundo interlocutores, o peemedebista se empenhou pessoalmente para que a senadora Ana Amélia (PP-RS) fosse para a Agricultura, mas ela teria declinado do convite. O quadro final, com 23 ministros homens e brancos, quase todos políticos do parlamento e sem perfil técnico, foi o resultado de uma construção pragmática.

Temer tem pressa e uma agenda negativa pela frente. Para obter sucesso ele precisa mais de uma base coesa do que de especialistas.

Mulheres. A ausência de mulheres no primeiro escalão do governo Temer é um desgaste político que o presidente em exercício tentará reverter com nomeações no segundo escalão. Ao ministro da Educação e Cultura, Mendonça Filho (DEM-PE), por exemplo, foi pedido que a Secretaria Nacional de Cultura seja ocupada por uma mulher. “A Secretaria Executiva, a chefia de gabinete e a presidência do INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas) serão ocupadas por mulheres”, disse ao Estado o ministro da Educação, Mendonça Filho (DEM-PE). “O que houve foi uma contingência do momento. A ausência de mulheres não é uma postura”, concluiu Mendonça.

A mesma demanda foi repassada para os demais ministros: encontrem boas gestoras em seus quadros. Quando questionados sobre a ausência feminina na Esplanada, os ministros minimizam. “Eu gostaria muito que tivéssemos mais mulheres e negros, mas isso não é fundamental. O fundamental é que seja o governo eficiente”, diz Sarney Filho (PV-MA), ministro do Meio Ambiente.

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