Ministério das Cidades nega fraude em obras da Copa em Mato Grosso

Segundo nota da pasta, processo passou por 'discussões técnicas' e seguiu 'trâmites legais'

Estadão.com.br

24 de novembro de 2011 | 16h09

BRASÍLIA - O Ministério das Cidades negou nesta quinta-feira, 24, através de nota, qualquer fraude em obras da Copa de 2014 e disse que não houve alteração no valor do financiamento para a construção de um Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) no Mato Grosso. De acordo com o documento, todo o processo passou por "discussões técnicas de diversos ministérios" e "seguiu os trâmites legais".

Reportagem do Estado, porém, aponta que, com aval do ministro Mário Negromonte, foi aprovada uma mudança para respaldar tecnicamente um acordo político que vetava a troca de uma linha rápida de ônibus (BRT) pela construção de um VLT.

Abaixo, a íntegra da nota do Ministério das Cidades:

Mantendo nosso compromisso com a transparência e a prestação de contas, para esclarecimento da reportagem publicada na edição de hoje do Estado de São Paulo:

1 - O processo 80000.036719/2011-89 que trata da "apreciação dos estudos que fundamentaram a decisão do governo do Estado do Mato Grosso na implementação de sistema de Veículo Leve sobre Trilho para a Copa do Mundo FiFa 2014..." é composto por 153 páginas, das quais 132 delas se dedicam ao estudo técnico que fundamenta a viabilidade do VLT frente ao BRT;

2 - Dentro desse extenso processo consta também a Nota Técnica número 123/2011 com a análise e o parecer finais aprovados e assinados pela Gerente e pela Diretora do Departamento de Mobilidade Urbana da Secretaria Nacional de Transporte e da Mobilidade Urbana, concordando com a defesa técnica do Estado e aprovando a mudança na matriz de responsabilidade apresentada pelo Governo de Estado;

3 - Para isso, os técnicos consideraram alguns pontos positivos como o fato do VLT ser menos poluente, causar menos desapropriações e remoções involuntárias de famílias, com menos impacto econômico e social na área urbana, além de apresentar maior capacidade de transporte de pessoas e possibilidade de expansão quando atingido o limite, deixando um melhor legado à população;

4 - Ao longo da análise do processo participaram das discussões técnicos de diversos Ministérios, como Planejamento, Fazenda, Esporte e outros, pois todas as decisões sobre mudanças de matriz de responsabilidade, são colegiadas quando no âmbito de obras da Copa e do PAC, através dos Grupos Gestores, como é o caso em questão: uma decisão colegiada;

5 - Seguindo o rito processual da administração pública, os técnicos envolvidos no trabalho discutiram, analisaram e reavaliaram a pertinência ou não do novo modelo de transporte proposto pelo Governo do Estado, tendo manifestado opinião divergente ao parecer final, opinião essa que foi revisada e refutada tecnicamente no momento da conclusão da análise;

6 - Ressalte-se que, no âmbito das informações constantes no Ministério das Cidades, não houve qualquer mudança no valor do financiamento a ser disponibilizado pelo Governo Federal nesse projeto e o fato de serem recursos para empréstimo com contrapartida do Governo do Estado;

7 - Quem estabelece as prioridades dos projetos, de acordo com os interesses da população local, é o Governo do Estado ou o Governo Municipal respeitando as diretrizes traçadas pelo programa do Governo Federal;

8 - Não houve "fraude" (afirmação do jornal) no processo de análise, que seguiu os trâmites legais de todos os outros processos, atendendo às solicitações do Governo do Estado dentro da perspectiva do interesse público e mediante decisão colegiada junto aos outros Ministérios participantes do Grupo Gestor da Copa;

9 - Como foi explicado no item 5, durante o processo houve discussão dos prós e contras do projeto, pontos que ao final tornaram-se pacificados no parecer definitivo. Qualquer outra análise ou Nota Técnica que tenha sido produzida dentro dessa dinâmica ao longo do tempo pertence a um momento anterior à conclusão da análise que seguiu o trâmite processual legal;

10 - A discussão e o aperfeiçoamento de propostas são uma constante na apresentação dos resultados de governo.

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