Ministério da Saúde rebate críticas de Serra ao setor feitas no JN

O presidenciável tucano apontou a redução do número de cirurgias eletivas e de mutirões

Andrea Jubé Vianna, da Agência Estado

12 de agosto de 2010 | 13h54

BRASÍLIA - O Ministério da Saúde divulgou nesta quinta-feira, 12, nota rebatendo as declarações do candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, durante entrevista de quarta-feira ao Jornal Nacional. Ex-ministro da Saúde, Serra elegeu a área como um de seus principais alvos nas críticas sobre o governo Lula.

 

Serra apontou a redução do número de cirurgias eletivas e de mutirões, questão que ele já havia explorado no debate entre presidenciáveis promovido pela Rede Bandeirantes. Ele acrescentou que faltam hospitais nas regiões mais afastadas dos grandes centros. "Enfim, tem um conjunto de coisas, inclusive relacionadas por exemplo com a saúde da mulher", afirmou.

 

Em nota, o ministério contesta, em seis tópicos, as alegações do candidato. "Não é verdade que houve redução no número de cirurgias eletivas", inicia a nota.

 

Segundo o órgão, o número de procedimentos realizados no âmbito da Política Nacional de Cirurgias Eletivas, criada em 2004, subiu de quatro (catarata, próstata, varizes e retinopatia diabética) para 90. "O número de cirurgias eletivas realizadas passou de 1,5 milhão, em 2002, para 2 milhões, em 2009", afirma.

 

O ministério rebate com exemplos a alegação de que "a prevenção de doenças ficou para trás". Afirma que o Brasil interrompeu a transmissão do cólera (2005), da rubéola (2009), a transmissão vetorial de Chagas (2006) e eliminou o sarampo (2007). E afirma que realizou as duas maiores campanhas de vacinação do país e do mundo: a de rubéola, em 2008, e a contra a gripe H1N1, neste ano.

 

Por fim, em relação à saúde da mulher, o Ministério da Saúde informa que a gravidez na adolescência caiu 20% entre 2003 e 2009, e o investimento no planejamento familiar aumentou 605%, totalizando R$ 72,2 milhões, em 2009, para a compra de pílulas e outros contraceptivos.

 

Veja a nota na íntegra:

 

1) Não é verdade que houve redução no número de cirurgias eletivas. Os mutirões foram incluídos na Política Nacional de Cirurgias Eletivas, criada em 2004. Essa política incorporou aos quatro procedimentos que eram realizados até então (catarata, próstata, varizes e retinopatia diabética) outros 86 procedimentos, totalizando 90 tipos de cirurgias eletivas.

 

2) Com a ampliação, o número de cirurgias eletivas realizadas passou de 1,5 milhão, em 2002, para 2 milhões, em 2009.

 

3) Em 2009, a quantidade de cirurgias de catarata, por exemplo, foi maior que em 2002, considerado o ano auge dos mutirões. Naquele ano, foram 309.981 procedimentos. Em 2009, o SUS realizou 319.796. E, no decorrer de sete anos (de 2003 a 2009), a quantidade de cirurgias de catarata chegou a 1,9 milhão.

 

4) Também é incorreto dizer que a prevenção de doenças "ficou para trás", como afirmou o candidato. Houve avanços inegáveis nessa área, com alguns exemplos a seguir. O Brasil interrompeu a transmissão do cólera (2005) e da rubéola (2009); a transmissão vetorial de Chagas, em 2006; e eliminou o sarampo, em 2007. Estamos próximos da eliminação do tétano, e foram reduzidas as mortes por outras 11 doenças transmissíveis, como tuberculose, hanseníase, malária e aids. O País realizou as duas maiores campanhas de vacinação do país e do mundo: a de rubéola, em 2008, e a contra a gripe H1N1, neste ano.

 

5) Ainda em programas estruturantes de prevenção, a cobertura populacional do Saúde da Família cresceu 61% em todo o Brasil – o número de equipes saltou de 19.068 (em 2003) para 30.782 (até março deste ano). Entre suas principais tarefas, estão a promoção da saúde e prevenção de doenças. As equipes podem resolver até 80% dos agravos de saúde da população.

 

6) Em relação à saúde da mulher, para a qual o candidato afirma que há problemas, o Ministério da Saúde informa que a gravidez na adolescência caiu 20% entre 2003 e 2009, e o investimento no planejamento familiar aumentou 605%, totalizando R$ 72,2 milhões em 2009, para a compra de pílulas e outros contraceptivos. Houve um aumento de 125% nas consultas pré-natal (um total de 19,4 milhões em 2009). Na prevenção, o suplemento de saúde da Pnad 2008, feita pelo IBGE, apontou que a proporção de mulheres de 50 a 69 anos que se submetem à mamografia passou de 54,8%, em 2003, para 71,5%, em 2008.

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