Ministério da Saúde privilegia cidades petistas

O Ministério da Saúde entregou ontem 20 ambulâncias do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) para as cidades de Diadema (5), Marília (3), Ribeirão Preto (7) e Piracicaba (5). Das quatro cidades, apenas Marília não é administrada pelo PT - sua prefeitura está nas mãos do PMDB, partido aliado do governo federal. São Paulo e Porto Alegre, com administrações petistas, também receberam os veículos nos dias 23 e 28. O Samu é o programa que oferece assistência pré-hospitalar no Sistema Único de Saúde (SUS). A legislação eleitoral permite que prefeitos participem de inaugurações até o dia 3 de julho. Por isso, a entrega a cinco dias do prazo provoca suspeitas de favorecimento aos atuais gestores. O diretor do Departamento de Atenção Especial do Ministério da Saúde, Arthur Chioro, responsável pelo Samu, considera esse tipo de análise "inaceitável". "O programa vem sendo discutido desde agosto do ano passado. Se todas as iniciativas tiverem de esperar pelo processo eleitoral, caímos no imobilismo", afirma. Chioro ainda argumenta que, dos 93 municípios beneficiados pelas 252 ambulâncias entregues desde o início do programa, 24 têm prefeitura do PSDB, 20 do PT, 19 do PMDB, 10 do PFL e as demais estão divididas entre outros partidos. Segundo o Ministério da Saúde, a entrega seguiu quatro prioridades: municípios que já tinham aderido ao programa, cidades de maior porte, pólos que congregam vários municípios e os que têm gestão plena do sistema de saúde. Curitiba e São José dos Pinhais, com administração do PFL, já receberam 21 e 3 ambulâncias respectivamente, mas ainda não fizeram a inauguração. O atraso estaria relacionado a mudanças nos quadros de secretários municipais. Atualmente, existem instalados no País 15 Samus, nas cidades de São Paulo, Campinas, Ribeirão Preto, Araras, Recife, Natal, Fortaleza, Vitória da Conquista, Belém, Porto Alegre, Belo Horizonte, Betim, Aracaju e Maceió, e na região do Vale da Ribeira, em São Paulo. O Ministério da Saúde pretende oferecer o serviço em 1.700 municípios, atingindo um total de 118 milhões de habitantes. Até o fim do ano, 1.480 ambulâncias podem ser entregues pelo programa. No entanto, até o momento, cerca de 1.250 pedidos foram feitos e ainda restam veículos aos municípios que escreverem projetos e forem aprovados.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.