Informação para você ler, ouvir, assistir, dialogar e compartilhar!
Tenha acesso ilimitado
por R$0,30/dia!
(no plano anual de R$ 99,90)
R$ 0,30/DIA ASSINAR
No plano anual de R$ 99,90
Wilton Junior/Estadão
Wilton Junior/Estadão

Ministério da Saúde se cala sobre Bolsonaro atropelar cartilha sanitária anticoronavírus em protesto

Presidente cumprimentou apoiadores no Palácio do Planalto; ministro da Saúde disse que não falaria com o 'Estado' e que iria 'tomar banho'

Mateus Vargas, Jussara Soares e Camila Turtelli, O Estado de S.Paulo

15 de março de 2020 | 17h17
Atualizado 15 de março de 2020 | 20h08

BRASÍLIA - O Ministério da Saúde e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) não comentaram até o momento a presença do presidente Jair Bolsonaro em manifestação pró-governo, anti-Congresso e anti-STF realizada neste domingo, 15, em diversas cidades do país.

Procurado, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta (DEM), disse que não falaria com o Estado e que iria "tomar banho". Em seguida, desligou o telefone abruptamente.

O Ministério da Saúde fez recomendações na semana passada para que eventos com aglomerações fossem cancelados, adiados ou feitos sem público. Ontem, após pressão do setor de Turismo, a pasta recuou e orientou a medida apenas para locais com transmissão comunitária do vírus, quando não é possível identificar quem pegou de quem. São os casos de São Paulo e do Rio de Janeiro.

Bolsonaro esteve no protesto em Brasília, que ainda não tem transmissão comunitária confirmada. Apesar disso, ele atropelou a cartilha sanitária que o governo prega ao cumprimentar apoiadores e tocar em diversos celulares para fazer selfies. Em alguns momentos, Bolsonaro chegou a colar o rosto ao de apoiadores para fazer fotos. A orientação da pasta é evitar ao máximo este tipo de contato e manter as mãos sempre limpas.

Durante a última semana, o ministério evitou se opor a realização de atos pró-Bolsonaro com aglomerações neste domingo. Técnicos da pasta têm dito que cabe bom senso para evitar, por exemplo, ir ao protesto se estiver com suspeita da nova doença. 

Fontes médicas e do governo informaram que a recomendação para Bolsonaro, que testou negativo para coronavírus, era permanecer em isolamento até a próxima quarta-feira quando completam sete  dias de seu último contato com o secretário de Comunicação, Fabio Wajngarten, infectado com o coranavírus. Além dele, outras sete pessoas que estiveram com Bolsonaro nos Estados Unidos também testaram positivo para a Covid-19

Na semana passada, Bolsonaro chegou a pedir para que as manifestações fossem adiadas, mas apoiadores seguiram insistido em promover os protestos e iniciaram um movimento nas redes sociais: #DesculpeJairMasEuVou.

Presidente da Anvisa

O diretor-presidente substituto da Anvisa, Antonio Barra Torres, acompanhou o presidente Jair Bolsonaro em ato pró-governo neste domingo, 15.

A presença do diretor da Anvisa na manifestação causou perplexidade em técnicos da área da Saúde do governo. Para eles, a ida de Bolsonaro ao ato acompanhado de Barra tira crédito da campanha de prevenção que vinha sendo feita e confunde a população.

Barra Torres se tornou um conselheiro de Bolsonaro para assuntos de saúde. Apesar de elogiado por ações para conter uma crise sanitária no Brasil, o ministro Mandetta não cai nas graças de Bolsonaro, dizem fontes do governo.

A Anvisa não se manifestou sobre se Bolsonaro contrariou recomendações do órgão e da Saúde para evitar uma epidemia de novo coronavírus. Disse apenas que Barra Torres aceitou convite para conversa informal no Palácio do Planalto com Bolsonaro.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.