'Ministério da Saúde fecha se não tiver CPMF', diz Temporão

Ele diz que tributo financia cirurgias do SUS e, com sua extinção, população não poderá ser internada

Agência Brasil

17 de outubro de 2007 | 16h42

Internações, cirurgias e exames especializados no Sistema Único de Saúde (SUS) podem ser prejudicados caso a prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) não seja aprovada. A avaliação é do ministro da Saúde, José Gomes Temporão. "O Ministério da Saúde fecha se não tiver CPMF ano que vem", afirmou Temporão nesta quarta-feira, 17, em entrevista à Radiobrás.  Veja também:Governo pode enviar projeto paralelo de redução CPMF Decisão do TSE dificulta votação de CPMF no SenadoLíderes marcam blitz ministerial pró-CPMF no SenadoLula cobra lealdade da base no Senado para prorrogar CPMFGoverno oferece contrapartida à CPMF, diz líder do DEM Dê sua opinião sobre a CPMF  Entenda a cobrança da CPMF   "Todos os 11 milhões de internações que vão acontecer este ano não poderão acontecer ano que vem. Então, a população não vai poder ser internada. Todas as cirurgias realizadas pelo Sistema Único de Saúde são financiadas pela CPMF. Então não vamos poder operar ninguém. Todos os exames especializados que o Sistema Único de Saúde faz são financiados pela CPMF", argumentou o ministro.  Segundo Temporão, o orçamento estimado para o Ministério da Saúde em 2008 é de R$ 48 bilhões. Sem acordo Nesta quarta, o presidente da República em exercício, José Alencar, disse não ser favorável à CPMF. Mas afirmou que o governo não tem como abrir mão do imposto neste momento. A proposta de emenda à Constituição que prorroga a CPMF até 2011 ainda será  votada no Senado, mas deve encontrar obstáculos. O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), rejeitou qualquer tentativa do governo de fazer um acordo com a oposição que permita saltar prazos para acelerar a tramitação da proposta de emenda que prorroga até 2011 a CPMF na Casa. Nesta quarta-feira, o governo realizou uma verdadeira blitz no Senado para discutir uma forma de acelerar a proposta, em encontro de José Alencar, com o presidente interino da Casa, Tião Viana (PT) e líderes partidários.  Eu não aconselho o presidente Lula a tentar burlar nada. Isso transformaria esta Casa num Iraque, num Afeganistão", afirmou Virgílio após a reunião.A declaração foi dada em resposta à líder do PT, senadora Ideli Salvatti (SC), que afirmara que um acordo de líderes possibilitaria apressar a tramitação da proposta. O governo pretende aprovar até 20 de dezembro a emenda da CPMF para poder, legalmente, reiniciar sua cobrança em janeiro de 2008.O líder do PSDB considerou positivo o encontro desta quarta-feira."Nós não convencemos eles, nem eles nos convenceram. De concreto, houve apenas a abertura de um processo de conversa. Um gesto simbólico, mas, ainda assim, incipiente", comentou o líder do PSDB. Ele ressaltou que, se o Palácio do Planalto não apresentar uma proposta de redução da carga tributária, o PSDB tenderá a fechar questão contra a prorrogação da CPMF.

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