Ministério da Saúde e Caixa repassaram R$ 163 mi a empresas investigadas na Lava Jato

Segundo a PF, contratos firmados com IT7 Sistemas e Broghi Lowe teriam sido usados para desviar recursos públicos para o ex-deputado federal petista pelo Paraná André Vargas

Talita Fernandes e Fabio Fabrini, O Estado de S.Paulo

10 Abril 2015 | 17h59

Texto atualizado às 18h58

BRASÍLIA - Duas empresas investigadas na 11ª fase da Operação Lava Jato, batizada de "A Origem", receberam do governo federal ao menos R$ 163 milhões desde 2011, de acordo com dados disponíveis na decisão de prisão decretada pela Justiça e no Portal da Transparência. Desse total, R$ 50 milhões foram repassados pela Caixa Econômica Federal à IT7 Sistemas, do segmento de tecnologia da informação, e os outros R$ 113 milhões foram pagos pelo Ministério da Saúde à agência de publicidade Broghi Lowe.


Os R$ 50 milhões repassados pela Caixa à IT7 Sistemas constam em despacho do juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal Criminal em Curitiba-PR, responsável pela condução da Lava Jato na primeira instância. Já o valor pago pelo Ministério da Saúde à agência de publicidade é referente à pesquisa feita pelo Estado no Portal da Transparência. Esse montante foi repassado pela pasta à Borghi Lowe desde 2011 e é referente a campanhas de publicidade do Programa Mais Médicos, uma das principais bandeiras do governo Dilma Rousseff, e de campanhas de prevenção de doenças como tuberculose, poliomelite e a gripe H1N1. Como a Caixa é uma empresa pública, seus contratos não estão disponíveis no Portal da Transparência e, embora o Estado tenha solicitado os dados à instituição financeira, as informações não foram repassadas à reportagem até o momento.


A Polícia Federal e o Ministério Público suspeitam que contratos firmados por essas duas empresas com órgãos públicos tenham sido usados para desviar recursos públicos para o ex-deputado federal petista pelo Paraná André Vargas, hoje sem partido. Até agora, a força-tarefa citou contratos de publicidade envolvendo o Ministério da Saúde e a Caixa Econômica Federal, em que a fatia desviada era da ordem de 10% para cada contrato. Entre as empresas suspeitas de integrar esse esquema estão companhias de agentes políticos. Vargas e outros dois ex-deputados foram detidos pela PF nesta sexta-feira: Luiz Argôlo (SD-BA) e Pedro Corrêa (PP-PE), este último condenado pelo julgamento do mensalão. Vargas foi expulso do PT no ano passado e teve seu mandato cassado em dezembro, após o surgimento de seu nome em meio aos escândalos envolvendo a Petrobrás. Já o partido Solidariedade, ao qual Argôlo é filiado, suspendeu hoje o vínculo do ex-parlamentar com a sigla.


Além do contrato com a Caixa, segundo Moro, a IT7 mantém ainda contratos com diversas entidades públicas, como o Serviço Federal de Processamento de dados (SERPRO), Celepar e CCEE. A PF e o MP investigam também se essas empresas estão ligadas ao esquema de desvio de recursos públicos.


Outro lado. Procurados, a Caixa e o Ministério da Saúde afirmaram à reportagem que deram início a uma apuração interna logo após terem sido citados pela Operação da PF na manhã desta sexta. "A Caixa reitera que vai colaborar integralmente com as investigações e informa que encaminhará imediatamente todos os contratos relacionados às empresas citadas à Controladoria-Geral da União, à Polícia Federal e ao Ministério Público", afirmou, em nota, o banco estatal. "O Ministério da Saúde está à disposição da Polícia Federal e demais órgãos de controle para quaisquer esclarecimentos sobre os processos da Labogen e da empresa de publicidade", escreveu o órgão em nota.

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