Reprodução/Divulgação
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Filme de Gentili: Ministério da Justiça eleva censura para 18 anos

Despacho cita 'tendências de indicação como coação sexual, estupro, ato de pedofilia e situação sexual complexa' como justificativas para a alteração

Redação, O Estado de S.Paulo

16 de março de 2022 | 09h17

O Ministério da Justiça mudou a classificação indicativa do filme "Como se tornar o pior aluno da escola", de 2017, de 14 anos para 18 anos. O despacho assinado pelo secretário José Vicente Santini,  publicado no Diário Oficial da União desta quarta-feira, 16, cita "tendências de indicação como coação sexual, estupro, ato de pedofilia e situação sexual complexa" como justificativa para a alteração.

O texto também recomenda que o filme seja exibido após as 23h em televisão aberta. A nova classificação etária, com os devidos descritores de conteúdo, deve ser utilizada em qualquer plataforma ou canal de exibição de conteúdo classificável em até cinco dias corridos.

A decisão vem um dia depois de outro despacho do Ministério da Justiça - pelo Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor - censurar a exibição da comédia em plataformas de streaming após a produção ficcional ser atacada por bolsonaristas nas redes sociais por conta de uma cena em que crianças sofrem assédio sexual de um personagem adulto.

Para a censura, o órgão do ministério argumentou que a suspensão busca "a necessária proteção à criança e ao adolescente" e prevê multa de R$ 50 mil por dia em caso de descumprimento. A decisão cita a Netflix, Globoplay, YouTube, Amazon Prime Video e Apple TV. Em 2017, a pasta havia liberado o filme com a classificação indicativa de não recomendado para menores de 14 anos.

Ao Estadão, o apresentador e humorista Danilo Gentili disse que considera estar sofrendo censura por parte do governo Bolsonaro. Gentili é autor do livro homônimo que deu origem ao filme, lançado em 2017, e ajudou a escrever o roteiro da produção audiovisual, que chegou recentemente aos serviços de streaming. Segundo ele, a determinação do ministério “soa como oportunismo, censura e perseguição”. O humorista afirmou que o movimento nas redes contra a obra, impulsionado por políticos bolsonaristas, serve para “destratar desafetos que possuem opiniões independentes, fazer cortina de fumaça contra problemas reais e engajar a rede deles” em ano eleitoral. 

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