Ministério da Justiça envia Força Nacional para área de conflitos em MS

Cerca de 50 agentes vão para a região de Dourados-Amambaipegua I, no município de Caarapó, após morte de indígena

André Borges, O Estado de S. Paulo

16 de junho de 2016 | 13h05

Brasília – O Ministério da Justiça enviou nesta quinta-feira, 16, agentes da Força Nacional de Segurança Pública para a região de conflito entre indígenas e fazendeiros em Mato Grosso do Sul.

A decisão de despachar cerca de 50 agentes da Força Nacional para a região da terra indígena Dourados-Amambaipegua I, no município de Caarapó, ocorre após a morte do indígena Clodiode Aquileu Rodrigues de Souza, de 26 anos, além de outros seis indígenas da etnia guarani kaiowá, todos baleados durante o confronto de terça-feira.

Os policiais devem reforçar o trabalho de agentes da Força Nacional que já atual na região de fronteira de Mato Grosso com o Paraguai, na região de Ponta Porã. Por meio de nota, o Ministério da Justiça informou que a decisão foi tomada após o ministro entrar em contato com o governador de MS, Reinaldo Azambuja, que solicitou o apoio da Força Nacional na região.

A prefeitura de Caarapó informou o reforço já começa a chegar. Outros 30 agentes da Polícia Federal também devem ser encaminhados para a região da fazenda Yvu, próximo a aldeia Te’yikuê.

“A Força Nacional irá auxiliar as Polícias Militar, Federal e Rodoviária Federal, a fim de restabelecer a ordem pública e preservar a incolumidade das pessoas e do patrimônio”, declarou o Ministério da Justiça.

Cinco indígenas permanecem internados no Hospital da Vida, em Dourados. Três deles passaram por cirurgias, incluindo o menino indígena Josiel Benites, de 12 anos, que sofreu lesões no estômago, intestino e rins. Outros dois indígenas permanecem em observação, para saber como seus quadros de saúde devem evoluir. Um desses pacientes foi alvo de quatro tiros.

A situação já era tensa desde o último domingo, quando os índios retornaram para a terra indígena. Caarapó, localizado a cerca de 50 quilômetros de Dourados, fica em uma das regiões de maior conflito entre índios e fazendeiros. Os guarani kaiowá requerem há décadas a demarcação e a retomada de suas terras na região, as quais foram cada vez mais pressionadas pelo avanço da soja, cana e da pecuária.

O território de Toro Passo, retomada no último documento, está dentro dos limites da TI Dourados-Amambaipegua I, que fez parte de um termo de ajustamento de conduta das demarcações em Mato Grosso do Sul firmado em 2007 e que teve seu relatório foi publicado no mês passado, quando a Fundação Nacional do Índio (Funai) liberou uma série de processos engavetados há anos.

Trata-se de uma região de conflitos freqüentes e que, em 2013, custou a vida do indígena Denilson Barbosa. Os atos de barbárie ganharam repercussão internacional, sendo denunciados ontem para representantes de governos e organizações de 35 países, durante o evento Oslo Redd Exchange 2016, que acontece na Noruega. Os relatos foram feitos por Joênia Wapixana, primeira advogada indígena brasileira.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.