Ministério altera regra para agilizar transplante de fígado

Resolução do Ministério da Saúde alterou regras de inclusão de pacientes na fila para transplantes de fígado. A atual lista única, válida para todo o Brasil e preparada de acordo com a ordem de inscrição, não será alterada. Mas, a partir de agora, a entrada de um paciente na fila não dependerá exclusivamente de indicação dos médicos da equipe de transplantes. Cada Estado deverá montar uma Câmara Técnica, num prazo de 30 dias. O paciente com diagnóstico para transplante somente terá o nome incluído na lista, se for aprovado pela câmara técnica. A câmara será composta por um coordenador, um representante do conselho de medicina, além de hepatologistas e gastros escolhidos pelo gestor estadual do Sistema Único de Saúde. Também haverá um representante da equipe de transplante.O nome do paciente e do médico não serão revelados. Os integrantes da câmara terão de analisar o caso apenas com base no histórico clínico e exames.A iniciativa pretende evitar a inscrição precoce de pessoas que não necessitariam imediatamente de um novo órgão, mas entram na fila só para segurar a vaga. O coordenador do Sistema Nacional de Transplantes, Alberto Beltrami, explica que um paciente com hepatite C pode vir a desenvolver cirrose, o que recomendaria um transplante de fígado. Mas não é uma doença que evolua rápido, às vezes leva até 20 anos para chegar a uma cirrose. Há registro de casos de pessoas que tiveram de ceder lugar na fila para outros porque ainda não precisavam da cirurgia. "Agora, o paciente só será inscrito no momento adequado", diz Beltrami. A ordem cronológica de inscrição já vinha sendo deixada de lado, quando apareciam urgências: pacientes mais graves precisando de um novo fígado para não morrer. E para realizar o transplante também é considerada a compatibilidade de sangue e de tamanho entre doador e receptor.O presidente Grupo Otimismo de apoio a portadores de hepatite C, Carlos Varaldo, aplaudiu a mudança. Segundo Varaldo, os médicos estavam inscrevendo os pacientes muito cedo e os que que realmente necessitavam de um fígado acabavam ficando no final da lista. "Quem precisa de um fígado morre se não fizer o transplante, não tem máquina nenhuma que o mantenha vivo."O presidente do Grupo Otimismo diz que no Rio de Janerio um paciente costuma esperar até cinco anos para fazer o transplante. É muito tempo, comparado à sobrevida de uma pessoa que recebe o diagnóstico de uma cirrose que, segundo Varaldo, é de apenas dois anos. "No Rio, 80% dos pacientes estão morrendo na fila do transplante", revela. Neste ano, nove inscritos já faleceram. Varaldo diz que a causa dessa demora é a desorganização na captação de órgãos. Por isso, na próxima quarta-feira, está organizando uma manifestação em frente ao palácio do governo. Varaldo também comenta que a nova regra impedirá eventuais casos de subornos para se obter uma vaga. "Hoje, confiamos nos médicos das equipes de transplante que estão aí", ressalta, mas questiona se, no futuro, não será fácil furar a fila com o pagamento de R$ 5 mil.

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