Ministério abriga pretensões eleitorais

Pelo menos 15 dos 23 ministros empossados na semana passada pelo presidente em exercício Michel Temer cogitam candidatura em 2018

Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo

15 de maio de 2016 | 03h00

O Ministério formado pelo presidente em exercício Michel Temer será marcado pelas pretensões eleitorais. Dois dos 23 ministros recém-empossados almejam ocupar o principal gabinete do Palácio do Planalto e pelo menos outros 13, que saíram do Congresso, devem tentar renovar os mandatos de deputado ou senador ou planejam voos mais altos.

Duas vezes candidato ao Planalto, o novo titular do Itamaraty, José Serra (PSDB), segue como uma das opções tucanas para a disputa presidencial de 2018, ao lado do senador Aécio Neves (MG) e do governador Geraldo Alckmin (SP), ambos também com uma candidatura nacional no currículo. Peemedebistas não descartam um cenário em que, caso Serra seja preterido na disputa interna do PSDB, o ministro migre para o PMDB e seja o nome à eventual sucessão de Temer com respaldo do Planalto. Na busca de apoio para a aprovação do impeachment, o presidente em exercício declarou publicamente que não será candidato à reeleição, se efetivado no cargo.

Outro nome que pode despontar como futuro candidato ao Planalto é o homem forte da Fazenda na gestão Temer. Se conseguir reaquecer a economia e apresentar bons indicadores, o ministro Henrique Meirelles terá condições políticas de colocar seu nome como opção para a corrida presidencial.

O ex-presidente do Banco Central do governo Lula atualmente é filiado ao PSD, pelo qual cogitou disputar a Prefeitura de São Paulo, em 2012. Em 2010, então filiado ao PMDB, Meirelles chegou a ser cotado para vice de Dilma.

Estados. Na equipe de Temer há também ministros que já foram ou querem ser governador em seus Estados. O titular da Educação e Cultura, deputado Mendonça Filho (DEM), já ocupou a chefia do Executivo em Pernambuco, após renúncia de Jarbas Vasconcelos (PMDB), e agora traça planos para chegar ao cargo pela via eleitoral. Outra opção é se candidatar ao Senado em uma aliança com o atual governador, Paulo Câmara.

Outro pernambucano, o tucano Bruno Araújo, titular da pasta de Cidades, está no terceiro mandato como deputado federal e, antes de ser escolhido ministro, já havia manifestado a vontade de tentar uma candidatura ao Executivo, mesmo que corra o risco de ficar sem mandato a partir de 2019.

Filho do senador Jader Barbalho (PMDB-PA), o ministro da Integração Nacional, Helder Barbalho, disputou o governo paraense em 2014 e deve tentar o posto novamente daqui a dois anos. Situação semelhante à do titular do Turismo, Henrique Alves, que foi derrotado na disputa pelo governo do Rio Grande do Norte em 2014 e já é virtual candidato em 2018.

O peemedebista Geddel Vieira Lima (Secretaria de Governo) não conseguiu chegar ao Senado em 2014, mas em 2018 pode tentar o Executivo baiano.

Aliado do governador Geraldo Alckmin, o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, filiou-se em 2015 ao PSDB com a intenção de disputar a Prefeitura de São Paulo. Não conseguiu se viabilizar, mas é considerado por tucanos paulistas como opção para a sucessão no Palácio dos Bandeirantes. Na equipe ministerial de Temer, outro nome que almeja o governo paulista é Gilberto Kassab (PSD), que foi titular de Cidades com Dilma e agora comanda a pasta da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações.

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