Mínimo e IR terão impacto de R$ 4,3 bilhões no Orçamento

O aumento do salário mínimo para R$ 300 a partir de maio de 2005, mais a correção da tabela do Imposto de Renda da Pessoa Física em 10% em janeiro, produzirão um impacto de R$ 4,3 bilhões no Orçamento da União no ano que vem. A conta é do presidente da Comissão Mista de Orçamento, deputado Paulo Bernardo (PT-PR). Em entrevista ao programa Espaço Aberto, da "Globo News", ele disse que não será fácil para o governo "fechar a conta". "Mas o senador Romero Jucá (relator geral do Orçamento) está fazendo grande esforço para fecharmos a conta. Vamos conseguir, sim, porque o crescimento econômico trará uma receita maior." O Orçamento, segundo Bernardo, deve ser votado no dia 29 de dezembro, podendo se estender inclusive até o dia 30, se for necessário. Paulo Bernardo garantiu que os parlamentares não devem mexer no reajuste do salário mínimo. "Pensamos em alternativas, como R$ 290 em janeiro. Mas esse reajuste traria um gasto de R$ 700 milhões a mais para a Previdência. Precisaríamos de mais dinheiro no Orçamento (cerca de R$ 2 bilhões), o que complicaria para fecharmos a conta", observou. Como em todos os anos, a discussão do Orçamento não será fácil. Manobras têm de ser realizadas para que o governo consiga contemplar Estados, municípios e parlamentares nas contas. Só de emendas dos parlamentares, estão previstos R$ 78 bilhões. Mas, desse montante, Paulo Bernardo acredita que somente R$ 6 bilhões serão atendidos pelo governo, já que da administração direta estão previstos no Orçamento R$ 11,4 bilhões para investimentos. O total do Orçamento de 2005 é de R$ 1,617 trilhão. Desse valor, R$ 1,170 trilhão correspondem a dívidas da União. Paulo Bernardo explicou o governo terá uma despesa com juros no ano que vem de R$ 110 bilhões. Obviamente, diz, o governo não pagará toda a conta, o que seria inviável, pois comprometeria os investimentos no País. "Teremos um superávit de R$ 58,2 bilhões em 2005 para pagar parcialmente essa conta de juros." Otimista, ele disse que o total da dívida está caindo em relação ao PIB. "Neste ano, o porcentual deve fechar na faixa de 53%."

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.