Fernando Young
Fernando Young

'Minha preocupação é com uso descontrolado de fake news', diz Paula Lavigne

Líder de um dos principais movimentos políticos da classe artística, produtora defende a participação da sociedade na política

Gilberto Amendola, O Estado de S.Paulo

15 de dezembro de 2017 | 05h00

A produtora e atriz Paula Lavigne teve um ano de intenso ativismo. No apartamento em que mora com o cantor e compositor Caetano Veloso, no Rio, recebeu uma série de políticos – alguns deles presidenciáveis. 

Líder do movimento de artistas batizado de 342, que defendeu a abertura das investigações contra o presidente Michel Temer, Paula disse ao Estado, em entrevista por e-mail, que o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa e o líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos, poderiam qualificar o debate eleitoral, se fossem candidatos.

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A produtora afirmou que o apresentador Luciano Huck é honesto e que não deve ser candidato à Presidência: “Ele não precisa se submeter à violência e ao baixo nível de uma campanha”. 

Este foi o ano em que a classe artística e você se reencontraram com o ativismo político?

Sem dúvida foi um ano atípico, pelo ritmo em que os retrocessos vieram. As causas nos atropelaram e nos mobilizaram. Como muitas pessoas, senti a necessidade de fazer alguma coisa diante de tamanha perda de direitos.

Como foram os encontros com políticos em seu apartamento?

Recebemos pedidos e sugestões de parte da classe artística que quer ouvir e debater com nomes da política nacional. É importante deixar claro que não é a classe toda, mas um grupo ao qual eu tenho acesso. Não temos restrição partidária, mas só convidamos pessoas do campo progressista. Recebemos o Ciro Gomes, a Marina Silva, o Joaquim Barbosa, o Fernando Haddad, o Guilherme Boulos e outros. E todos causaram excelente impressão ao apresentarem suas ideias sobre o Brasil.

Como imagina o Brasil do ano que vem? 

A minha preocupação com 2018 é com o uso descontrolado de robôs e difusão de fake news, que já ocorrem sem regulamentação. Precisamos ter essa preocupação, pois isso pode fazer muita diferença no cenário eleitoral.

Já pensou em se candidatar?

Não. Minha vocação não é ocupar cargos públicos, fazer negociações com quem discordo ou ter que agir diplomaticamente com pessoas cujas práticas desprezo. Meu perfil é outro. E temos de parar de achar que as pessoas só se engajam em causas por interesse próprio. Eu gosto de ser ativista do lugar onde estou e nele quero permanecer.

O movimento 342 vai apoiar algum candidato? Você e Caetano Veloso pretendem subir em algum palanque?

O 342 existe em torno de causas. São elas que nos reúnem e agregam. Se houver algum candidato que represente o nosso conjunto de causas e a maioria do movimento decidir apoiar, isso pode acontecer. 

O que acha de uma eventual candidatura Joaquim Barbosa?

Considero uma pessoa com importantes serviços prestados e que pode qualificar muito o debate eleitoral. O admiro e respeito muito.

Acha que seria uma boa ideia uma candidatura Luciano Huck?

Luciano é um empreendedor, uma pessoa bastante arejada e honesta. Só acho que ele não precisa se submeter à violência e ao baixo nível de uma campanha.

Qual sua opinião sobre Guilherme Boulos, do MTST? 

O Boulos é uma liderança desse momento urgente da política brasileira, que necessita de nomes novos e identificados com as causas. Se for candidato, certamente dará muita qualidade ao debate político.

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