Minha gestão será marcada pela independência, diz Grella

Novo Procurador-Geral de Justiça de SP disse, em entrevista coletiva, que não aceitará 'ingerência política'

Elizabeth Lopes, da AE

27 de março de 2008 | 16h17

O novo Procurador-Geral de Justiça de São Paulo, Fernando Grella Vieira, afirmou nesta quinta-feira, 27, que sua gestão à frente do Ministério Público Paulista deverá ser marcada pela independência. "Não aceitaremos ingerência política de forma alguma, nunca fui filiado a nenhum partido político e o meu compromisso é com a autonomia do Ministério Público nas investigações", destacou Grella, em sua primeira entrevista coletiva após ser confirmado pelo governador José Serra para o cargo.   Veja Também:  ''Há uma falta de resposta à sensação de impunidade''   O novo procurador disse que pretende implantar uma nova filosofia na administração do Ministério Público (MP). Segundo ele, é fundamental informatizar toda a instituição, integrando todos os órgãos de execução de combate ao crime organizado num banco de dados. "Vamos contratar um projeto de informatização, a integração do banco de dados terá um efeito prático no combate à corrupção", emendou.   A escolha de Fernando Grella quebrou um período de cerca de doze anos de administração do atual secretário de Justiça de São Paulo e ex-Procurador-Geral por três vezes, Luiz Antonio Marrey e seus aliados. Questionado sobre o fato, Grella evitou tecer críticas às administrações anteriores, porém, destacou: "A instituição carece de mudanças, como por exemplo, a ênfase na informatização". Ele citou também que sua administração irá definir novos parâmetros de atuação dos grupos de atuações especiais, como o Gaeco. As promotorias é que devem indicar componentes desse grupo", exemplificou.   O novo chefe do Ministério Público Paulista disse também que pretende promover uma maior participação dos promotores nas políticas de atuação preventivas. Ele disse que terá uma posição firme nos eventuais casos de promotores ligados à atos ilícitos. "Vamos lidar com tranqüilidade e com a certeza de que ninguém está a cima da lei, o MP é uma instituição que já cortou na própria carne." Ele garantiu também que sua gestão terá uma conduta de independência e imparcialidade com relação à eventuais investigações relacionadas ao governo.   Fernando Grella comentou também, a respeito do recente embate travado pelo atual Procurador-Geral de Justiça de São Paulo, Rodrigo Pinho, e a seccional paulista da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), por conta da inclusão de alguns membros do MP na chamada lista negra da OAB-SP, uma lista elaborada pela entidade com os nomes daqueles que a OAB julga dificultar o trabalho dos advogados.    "Este episódio não pode ser visto com os julgamentos de duas grandes instituições democráticas, que são MP e OAB", declarou. Apesar de defender uma postura mais serena com relação ao tema ele classifica a lista da OAB como "desconfortável".

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