?Minha consciência está uma maravilha?

Sérgio Moraes: deputado (PTB-RS)

, O Estadao de S.Paulo

08 de maio de 2009 | 00h00

Uma conversa com Sérgio Moraes (PTB-RS), de 51 anos, deputado no primeiro mandato, ex-vereador, ex-deputado estadual e prefeito duas vezes de Santa Cruz do Sul ajuda a entender por que ele disse que está "se lixando para a opinião pública". Casado com a atual prefeita da cidade, Kelly Moraes, e pai do vereador Marcelo Moraes, todos do PTB, o relator conta que a família decide em casa quem será candidato a que cargo público e depois apenas comunica aos eleitores, certa da vitória. "Ganho o que eu quero lá", orgulha-se.Há uma percepção de que o senhor fez um prejulgamento. Não existia uma regra clara que impedia o deputado Edmar Moreira de apresentar nota de sua empresa ou de sua família. Esse crime era muito grave até o escândalo das passagens. Bastou os viajantes pedirem desculpas e está tudo certo. O deputado Edmar Moreira tem de se enquadrar no mesmo posicionamento, o que passou passou. E, cá entre nós, com tanta coisa importante para se discutir neste país, a imprensa valorizar tanto uma nota de empresa... Os deputados que deram passagens a parentes e a outras pessoas deveriam responder processo no Conselho de Ética? Deveriam, sim. Pediram desculpas, criaram uma resolução e falaram que daqui para trás nada mais vale. Para todos nós, mas para o deputado Edmar Moreira as regras não valem. Pega-se o Edmar e joga no fogo. O que é isso? Eu não vou trabalhar com isso. Estou apanhando, mas minha consciência está uma maravilha.A tese da anistia vale para a verba indenizatória também? Evidente, até mais do que para as passagens. O sujeito deu passagem para a mulher, para o filho. O (Fernando) Gabeira pediu desculpa e a imprensa chorou. Que lindo, que emoção! Meteu a mão igual aos outros. Mas virou herói. É este o problema, aí está minha posição e eu não estou conseguindo ser entendido. Tem anistia para as passagens e para 512 deputados. Que moral é essa? Esse tipo de coisa me repugna.Sua mulher é prefeita da cidade?É, e meu filho é vereador. Entro num ginásio público e sou aplaudido. Porque eu tenho opinião, porque não me curvo, não avalizo as coisas com que não concordo. É uma história magnífica, uma vitória mais bonita que a outra. Eu ia me manter 27 anos com mandato? E com outro detalhe: escolhendo dentro de casa. "Escuta, o que tu vai ser agora? Ah, quero ser prefeito. Ah, então tá. Então eu vou ser deputado federal. Quem sabe tu não sai (candidato) a deputado estadual? Tu sai a vereador." A gente decide dentro de casa e só informa a população. E em todas a gente ganha. Ganho o que eu quero lá... "Tu vai ser prefeita, tu vai ser vereador, outro ali vai ser deputado estadual." E aí vou vir para cá e me encolher? Seria fácil ontem (anteontem) eu dizer que eu sou ético, que quero mostrar para o povo.O que o senhor quis dizer quando afirmou que está se lixando para a opinião pública? Não posso julgar alguém contra minhas convicções porque estou temendo a opinião pública. Imagina como seria confortável se eu tivesse me acovardado e saísse batendo no Edmar. Vocês estariam todos me elogiando e colocando ele na cruz. E como estaria minha cabeça? Eu dormi a noite toda, com a consciência tranquila, porque não compactuo com algumas coisas. O pior era ter me acovardado e ter tremido a perna. A imprensa sempre separa o joio do trigo e publica sempre o joio.O senhor tem seis filhos. Além de sua mulher, só seu filho mais velho está na política?Só ele. Tomara que seja só este. Que os outros sejam empresários. Ou jornalistas, que podem bater em quem quiserem. L.N.L

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