Minc contém revolta de ambientalistas e recupera crédito

O ministro do Meio Ambiente, CarlosMinc, conseguiu controlar na segunda-feira a primeira rebeliãopromovida por organizações não-governamentais desde que assumiuo cargo, há menos de três meses. Insatisfeitos com a falta de diálogo com o governo e o fatode Minc ter afirmado que poderá flexibilizar o decreto queregulamenta a Lei de Crimes Ambientais a pedido de produtoresrurais, os ambientalistas divulgaram na última semana ummanifesto criticando a atual gestão do ministério. Depois deuma reunião de mais de duas horas, o ministro comprometeu-se apassar a conversar com mais freqüência com as ONGs, obtendoassim novo crédito de representantes do terceiro setor. "A reunião restaurou a credibilidade (do ministro), poishouve a reafirmação do pressuposto do desmatamento zero. Aconfiança estava abalada", declarou a jornalistas o diretor dePolíticas Públicas do Greenpeace Brasil, Sergio Leitão, depoisdo encontro. Para a coordenadora do Instituto Socioambiental, AdrianaRamos, a audiência foi "pacificadora e tranqüilizadora." O ministro afirmou que tem o aval do presidente Luiz InácioLula da Silva para avançar com as discussões sobre asalterações no decreto, pois as regras atuais poderiamprejudicar a produção agrícola do país. Sobre a crise com os ambientalistas, disse que passará atrabalhar de forma mais estreita com as ONGs. Assegurou,contudo, que continuará ampliando as pontes de diálogo com osprodutores rurais. "Se mal entendido houve, foi sanado. Nós queremos maisproteção e mais produção," ressaltou em entrevista ajornalistas depois da reunião. Apesar da disposição de Minc, os ambientalistas continuam aser contrários à alteração do decreto e da redução do tamanhodas reservas legais na Amazônia, atualmente fixado em 80 porcento das propriedades localizadas na região. Para as ONGs, osprodutores rurais deveriam usar as áreas da Amazônia jádesmatadas para aumentar a produção agrícola do país. Minc também voltou a negar que o governo esteja estudandoliberar o plantio de cana-de-açúcar no Pantanal. Está emdiscussão no Executivo o Zoneamento Agroecológico daCana-de-Açúcar. "Não vai haver canavial e usina de cana no Pantanal ouabrandamento de leis. Ao contrário: haverá novas defesas. Ogoverno quer defender o etanol, mas nosso etanol será verde",assegurou.(Reportagem de Fernando Exman)

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