Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Milton Ribeiro acerta ida ao Congresso na terça para explicar atuação de pastores no MEC

Ministro ligou para o presidente da Comissão de Educação do Senado, Marcelo de Castro (MDB), que colocará em votação um requerimento para convocar Ribeiro a prestar esclarecimentos

Daniel Weterman, O Estado de S.Paulo

23 de março de 2022 | 15h53

BRASÍLIA - O ministro da Educação, Milton Ribeiro, ligou na manhã desta quarta-feira, 23, para o presidente da Comissão de Educação do Senado, Marcelo Castro (MDB-PI), e acertou sua ida ao colegiado na próxima terça, 29. Senadores querem explicações sobre a atuação de pastores para controlar a agenda e a liberação de verbas na pasta, como revelou o Estadão.

A comissão deve votar um requerimento nesta quinta, 24, para convocar o ministro a prestar esclarecimentos. Diante do movimento, Ribeiro se antecipou ao concordar com a ida ao Congresso, o que pode transformar a votação em um convite. Ainda assim, o Senado o pressiona a dar explicações e critica a ausência de igualdade no tratamento das políticas do ministério.

"O ministro da Educação, Milton Ribeiro, me ligou hoje pela manhã para se colocar à disposição para prestar esclarecimentos na CE. Na reunião desta quinta, 24, irei colocar os requerimentos em votação e vou propor ao colegiado que o ministro seja ouvido na próxima terça, 29", escreveu Marcelo Castro.

O caso motivou uma série de críticas ao ministro na sessão de terça-feira, 22, no plenário do Senado. Os parlamentares cobram uma investigação da atuação do ministério e dos pastores. "Recursos públicos não podem ser tratados com essa leviandade ou leveza toda", disse Marcelo Castro no plenário. 

Como mostrou o Estadão, um grupo de pastores passou a comandar a agenda de Ribeiro formando uma espécie de “gabinete paralelo” que interfere na liberação de recursos e influencia diretamente as ações da pasta. Em conversa gravada, Ribeiro admitiu que prioriza o atendimento a prefeitos que chegam ao MEC por meio dos pastores Gilmar dos Santos e Arilton Moura.

O caso ameaça permanência do ministro no governo. No Congresso, há críticas a privilégios dados com base em indicações de líderes religiosos, em detrimento de outros municípios. "Se esse governo fosse sério, com a matéria que tem hoje, com a gravação, ele não seria mais ministro", disse o senador Omar Aziz (PSD-AM), também no plenário. "Há um discurso de honestidade, um discurso hipócrita, quando na realidade os porões de dentro do governo estão podres".

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.