MILTON LAHUERTA

COORDENADOR DO LABORATÓRIO DE POLÍTICA E GOVERNO DA UNESP

O Estado de S. Paulo

13 Abril 2015 | 22h56

 É óbvio que os eventos de domingo não tiveram a mesma magnitude do 15 de março. O que pode dar ao governo e à classe política a sensação de que, se aguentarem o “tranco”, em breve tudo voltará à normalidade. Nada mais enganoso!

As “ruas” vêm demonstrando desde 2013 uma cisão entre as instituições e a sociedade em busca de direitos. Em 2015, a isso se somou a decepção com relação ao governo Dilma Rousseff, causada tanto por sua incompetência política quanto pela ação de setores da mídia e da elite que se recusam a aceitar o resultado eleitoral. A insatisfação social é crescente e revela a ausência de uma pauta mínima que sintetize as demandas numa plataforma política coerente. Há em curso um conjunto de crises (política, econômica, moral) e os políticos mostram-se aquém das circunstâncias.

Por isso, a hora é a da (grande) política! Trata-se de baixar a temperatura e de criar um clima de entendimento entre governo e oposição. Enquanto se trata de negar o existente, é possível ocorrer uma união momentânea dos variados setores da população. Já na definição do “próximo passo” o mais comum é que se instale o dissídio. Se não houver a exata noção desse risco, a tendência será de acirramento e as “ruas” virão à tona de modo cada vez mais intolerante e golpista.

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