Bastidores: Militares querem Pazzuelo na reserva ou fora do Ministério da Saúde

Bastidores: Militares querem Pazzuelo na reserva ou fora do Ministério da Saúde

Pasta vai completar 60 dias sem titular e não há nenhum movimento do presidente Jair Bolsonaro em busca de um novo nome; militares não querem misturar o seu papel com o do governo

Tânia Monteiro e Rafael Moraes Moura, O Estado de S.Paulo

13 de julho de 2020 | 20h41

BRASÍLIA - O incômodo nas Forças Armadas com críticas do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes sobre a militarização do Ministério da Saúde não significa que os oficiais estejam confortáveis com a presença do general Eduardo Pazuello no comando da pasta. 

O ministro tem sido orientado a ir para reserva caso queira continuar como interino na pasta da Saúde ou deixar o cargo se a opção for permanecer como militar da ativa. A mesma recomendação foi dada ao ministro Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo). Os militares não querem misturar o seu papel com o do governo e, por isso, estão muito incomodados com o tempo que Pazuello já ocupa a pasta da Saúde, 59 dias.

Inicialmente não havia problemas porque se esperava que o presidente Jair Bolsonaro nomeasse rapidamente o substituto de Nelson Teich. Mas amanhã serão completados 60 dias sem titular e não há nenhum movimento do presidente em busca de um novo nome. Bolsonaro já disse, contudo, que não irá manter Pazuello no comando do ministério.  

"É um nome que não vai ficar para sempre, está completando três meses como interino e já deu uma excelente contribuição para nós", afirmou Bolsonaro em entrevista a emissoras de TV no Palácio da Alvorada na semana passada. Na mesma ocasião, o presidente disse estar com o novo coronavírus.

O País já acumula mais de 72 mil óbitos e 1,8 milhão de contaminados. Depois das saídas dos médicos Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich, Pazuello - militar da ativa especializado em questões logísticas - assumiu interinamente o ministério.

Foi na gestão de Pazuello que o Ministério da Saúde mudou a orientação sobre o uso da cloroquina, passando a recomendar o medicamento desde o início dos sintomas do novo coronavírus. A droga, no entanto, não tem a eficácia comprovada pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Atualmente, ao menos 20 militares, sendo 14 da ativa, ocupam cargos estratégicos no Ministério da Saúde.

Numa 'live' no fim de semana, Gilmar Mendes afirmou que o Exército está se associando a um “genocídio”, em referência à crise sanitária instalada no País em meio à pandemia de covid-19, agravada pela falta de um titular no Ministério da Saúde.

Em resposta, o ministro da Defesa, general Fernando Azevedo, anunciou nesta segunda-feira, 13, que vai encaminhar uma representação à Procuradoria-Geral da República contra o ministro. A nota foi assinada em conjunto com os comandantes do Exército, general Edson Pujol, da Marinha, almirante Ilques Barbosa Junior, e da Aeronáutica, brigadeiro Antônio Carlos Moretti Bermudez. 

No domingo, 12, o presidente do Supremo, Dias Toffoli, procurou seu colega de Corte para tentar colocar um ponto final na crise. Gilmar afirmou ao Estadão que não fala mais no assunto.

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