Militares não são únicos culpados, diz ex-preso político

Paulo de Tarso disse em entrevista à rádio Eldorado que não acha relevante a revisão da Lei da Anistia

da Redação

11 de novembro de 2008 | 13h29

O economista e ex-preso político Paulo de Tarso Venceslau, se posicionou contra a revisão da Lei da Anistia, ao dizer que os militares não são os únicos culpados pelas atrocidades no período militar. "Não tem porque mexer nessa lei agora. A história é feita por versões e interpretações. Eu fiquei preso cinco anos e meio, fui torturado, e acho que não tem de mexer porque a gente também cometeu erros, não é só do lado dos militares", afirmou Tarso em entrevista à rádio Eldorado nesta terça-feira, 11.   Veja Também:  Ouça a entrevista na rádio Eldorado  Procuradora e autora da ação do MPF explica os principais pontos  Íntegra da contestação da AGU sobre a Lei da Anistia   Entenda o processo que resultou na Lei de Anistia  Direito à verdade: Livro conta história oficial   Especial traz a cronologia dos fatos de 1968    Para o ex-preso político, a polêmica em torno da lei não é relevante já que a História já condenou os culpados. " Na verdade, o que todo mundo está querendo é que os torturadores sejam punidos hoje. Acho que é um processo que não vai frutificar, nem deve frutificar, porque mais que persegui-los com as leis hoje, eles já estão condenados pela própria História".   Paulo de Tarso acredita que a defesa do ministro da Justiça, Tarso Genro, para que a lei seja revista tem fundo político. "Ele deve estar fazendo uma média com o pessoal mais de esquerda. É mais uma jogada para a platéia que uma garantia, uma luta política reforçada em qualquer coisa mais generosa e ambiciosa. É alguma coisa pensando em 2010 e por aí vai", concluiu.

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