André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Ninguém está pensando em intervenção militar, diz general Heleno

Futuro ministro da Defesa também apoiou decisão do presidente eleito de divulgar aos poucos nomes que irão compor os ministérios

Lígia Formenti e Idiana Tomazelli, O Estado de S.Paulo

05 Novembro 2018 | 19h13

BRASÍLIA - Indicado para o ministério da Defesa do governo do presidente eleito Jair Bolsonaro, o general Augusto Heleno afirmou nesta segunda-feira, 05, que o fato de muitos militares terem indicação para postos do Executivo é uma questão de coerência. "Não tem nada a ver com governo militar. Ninguém está pensando em intervenção militar, em autoritarismo, nada disso. É um aproveitamento de gente que o País não estava acostumado a aproveitar." 

Heleno, que participa de reuniões com integrantes do governo de transição no Centro de Convenções Banco do Brasil, em Brasília,  considerou natural a demora para a escolha de nomes para a equipe do próximo governo e afirmou que a estratégia de apresentar a indicação a conta-gotas é boa. "Há muitos candidatos. Todos apresentam credenciais significativas. A escolha é difícil e precisa ser pensada", disse. "Não há essa urgência. Existe essa urgência para vocês (jornalistas), que estão atrás de notícias. É uma questão de ter na cabeça. E até do ponto de vista de mídia é bom que ele vá soltando aos poucos."  

Heleno afirmou não ter conversado ainda com o juiz Sérgio Moro, indicado para ocupar um superministério da Justiça. "Fiz uma ligação telefônica rápida. Mas a escolha foi um gol de bicicleta do meio do campo que o presidente fez."

O general não quis comentar o adiamento da visita do governo do Egito ao Brasil. A decisão da suspensão da visita é associada às declarações pró-Israel feitas pelo presidente eleito. "Não vou tecer considerações sobre esse problema que aconteceu. Não sou nem primeiro-ministro, nem ministro das Relações Exteriores. Vai ter gente mais tarde que vai entrar nessa seara. Numa campanha, é diferente. Agora não. Cada macaco no seu galho. O ministro das Relações Exteriores vai tecer considerações e levar ao presidente", disse, na tarde desta segunda.

O governo egípcio atribuiu o adiamento a compromissos de autoridades do país. Nos bastidores, no entanto, a informação é de que a verdadeira causa da mudança de planos foi a decisão anunciada por Bolsonaro de mudar a embaixada do Brasil em Israel de Tel-Aviv, capital oficial, para Jerusalém.

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