Militares aprovam a medida

Governo assegura 8,7 mil hectares à Aeronáutica

Tânia Monteiro, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

05 de novembro de 2008 | 00h00

A decisão do governo de reconhecer uma área ocupada por remanescentes de comunidades quilombolas no Maranhão não causou reação hostil nem no Comando da Aeronáutica nem na Agência Espacial Brasileira (AEB). Como o texto publicado no Diário Oficial da União assegura uma área de cerca de 8,7 mil hectares à Aeronáutica, onde funciona o Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), a delimitação foi bem recebida pelos militares porque encerra uma polêmica que se arrasta há anos. Mesmo para o Ministério da Ciência e Tecnologia, que reivindicava uma área mais ao norte de Alcântara para testes e lançamentos, o problema ficou resolvido. Anteriormente, já havia sido autorizada a realização desses trabalhos no complexo que envolve a Base de Alcântara."A proposta original era de que poderíamos ter uma área mais ao norte. Mas, como houve uma decisão de consenso envolvendo todas as partes, definindo que o próprio centro de lançamento de Alcântara podia abrigar experimentos e lançamento que serão feitos fruto do acordo assinado com a Ucrânia e que foguetes ucranianos poderão ser lançados de lá, a decisão tomada atende também aos nossos interesse", afirmou o presidente em exercício da AEB, Himilcon de Castro Carvalho.Segundo ele, a decisão tranqüiliza também os ucranianos, que já assinaram acordos com o Brasil para, em meados de 2010, lançar os seus foguetes a partir do território brasileiro.A agência pleiteava três sítios na região para o desenvolvimento de projetos espaciais e lançamentos de foguetes. Com esta decisão do governo, qualquer nova discussão terá de ser feita diretamente com os novos donos da área, agora reconhecidos e legitimados, partindo tudo do zero.O mais importante, observou Carvalho, é que o local para lançamento dos foguetes está assegurado no Centro de Lançamento de Alcântara. Para a Aeronáutica, o resultado também foi considerado satisfatório porque sua área está assegurada e a demarcação estabeleceu quais são os locais que os quilombolas têm direito a ocupar, atendendo a uma reivindicação destas comunidades. A Aeronáutica continua tendo responsabilidade sobre os 8.714 hectares onde estão as instalações da Força e os seus campos.

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