Militares aliciaram índias, conclui comissão

A Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados concluiu que índias ianomamis da região de Surucucus, em Roraima, foram mesmo vítimas de abusos sexuais por parte de militares do 4º Batalhão Especial de Fronteira (PEF), do Exército, que fica situado nas imediações da reserva indígena. O relatório sobre o aliciamento das índias foi divulgado hoje pelo presidente da comissão, Marcos Rolim (PT-RS). O relatório da Comissão acusa ainda os militares de desmatar áreas da reserva e de poluir os igarapés."Não há dúvidas de que as índias sofreram abusos", conclui o relatório, com base em depoimentos das vítimas. Segundo relatos das índias aos deputados, os soldados distribuíam comida, bebidas e pequenos objetos para se aproximarem das ianomamis. Após aliciá-las, informa o relatório, os militares as convidavam para ir ao mato ou tomar banho de cachoeira, onde elas eram forçadas a manter relações sexuais.J., uma das vítimas, contou à Comissão que aceitou os convites dos soldados porque estava afeiçoada por um deles. Na época, a índia tinha apenas 15 anos. Após manter relações com o militar, ela disse aos deputados que continuou recebendo donativos dos soldados. Ela disse que após descobrir que estava grávida, nunca mais viu o soldado.O relatório recebeu críticas dos deputados Jair Bolsonaro (PPB-RJ) e Antônio Feijão (PST-AP), que vêem interesse político nas acusações. Para eles, o objetivo é favorecer a demarcação da área indígena de Raposa Serra do Sol.Rolim cobrou do governo a apuração das denúncias, além de recomendar que os pelotões do Exército sejam instalados a uma distância de, pelo menos, 10km das malocas dos ianomais. O relatório pede a suspensão de todos os projetos de construção de unidades militares em áreas indígenas, além da a retirada de garimpeiros, fazendeiros e ocupantes ilegais de terras indígenas em Roraima.

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