‘Militar não é uma anta pacífica, omissa e sem cérebro’, diz general Heleno

Para o general da reserva, fala de Villas Bôas não era pra 'causar tanto' e que militares têm direito a participar da vida pública

Marcelo Godoy, O Estado de S.Paulo

04 Abril 2018 | 20h39

Os pronunciamentos dos comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, e o tenente-brigadeiro-do-ar Nivaldo Luiz Rossato, comandante da Aeronáutica, receberam o apoio de generais da ativa e da reserva. Às vésperas do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) do HC do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Villas Bôas disse ser contra "impunidade" e afirmou ainda que o Exército "está atendo às suas funções institucionais".

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"A manifestação do Rossato não colidiu com o posicionamento do general Villas Bôas. A farda não abafa o cidadão. E o comandante do Exército quis apenas mostrar suas discordância com a impunidade. Não é para causar tanto", afirmou o general da reserva Sebastião Roberto Peternelli Junior. O tenente-brigadeiro-do-ar disse nesta quarta-feira, em comunicando a seus subordinados, que não se "empolguem".

"A gente tem direito de participar da vida pública. Nós estudamos pra burro. Ninguém mais legítimo para colocar a posição do exército do que o comandante. Não pode ter essa ideia de que o militar é uma anta pacífica, omissa e descerebrada. A gente está vivendo o problema que todo mundo está vivendo.” Heleno esteve anteontem no protesto em Brasília ­- Peternelli  foi à manifestação na Avenida Paulista, em São Paulo - contra a concessão do habeas corpus para Lula. “Nós temos o direito de opinar.”

Para ele, é fácil entender porque alguns veem problemas na manifestação de Villa Boâs. “É natural, basta procurar seus registros biográficos. Isso não é de graça. Eu que sou militar e comecei minha vida um ano depois  da contrarrevolução, vivi isso a minha vida inteira: é sempre essa prevenção contra o militar.” Para ele, a nota do brigadeiro Rosato teve um tom conciliador, prudente. “Nada de novo”, afirmou.

O general de exército da reserva Augusto Heleno Ribeiro Pereira afirmou que Villas Bôas disse apenas “o que está tudo escrito na Constituição”. “Ele só colocou em nome dele em face da situação crítica que estamos vivendo, onde o comandante têm necessidade de se dirigir  ao seu público interno.” Heleno considerou as notas do general e do brigadeiro “tranquilas”.

“Sem maiores conotações, como quiseram dar. Esse é o problema: existe ainda um ranço, uma prevenção contra os militares. Tem gente que fica ali ainda querendo enxergar ameaça de golpe, de uma intervenção militar. Isso é uma bobagem.” De acordo com ele, a preocupação de Villa Bôas com a impunidade se deve ao fato de o Exército ser afetado pela impunidade na segurança pública.

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