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Militar deve ter ‘ficha limpa’ para trabalhar com a Presidência

Sargento da Aeronáutica foi detido na Espanha e integraria comitiva de Bolsonaro

Marcelo Godoy e Roberto Godoy, O Estado de S.Paulo

26 de junho de 2019 | 20h29

Militares das Forças Armadas são submetidos a um processo de seleção rigoroso quando pretendem trabalhar em órgãos como o Ministério da Defesa, o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) e a Presidência da República. A vida do candidato é vasculhada e sua folha de alterações – onde ficam registradas as punições que ele recebe durante a carreira – são verificadas no processo de seleção. O “filtro” pode demorar até um ano antes de o militar receber o sinal verdade para servir fora da Força à qual ele pertence. 

No Exército, esse sistema é conhecido como Plano de Movimentações e estabelece critérios rigorosos para oficiais e praças, especialmente nesses casos. Além de preservar as instituições, o objetivo é evitar a chamada “peixada”, o compadrio que poderia favorecer quem não merece ocupar uma função de prestígio. Antes, o candidato já havia passado pelos exames nos processos seletivos para a entrada na Força. 

A investigação sobre o caso do segundo-sargento Manoel Silva Rodrigues deve começar pela verificação se essas normas foram seguidas. Depois, os responsáveis pela apuração devem verificar duas circunstâncias: se o fato foi um crime de oportunidade ou se havia assiduidade no transporte de drogas. 

Como uma andorinha sozinha não faz verão, também serão investigados possíveis comparsas do militar no tráfico de drogas e será feita uma nova verificação de antecedentes de todos os que trabalham com o segundo-sargento. A pior coisa que pode acontecer agora para a imagem da Força Aérea Brasileira é o raio cair duas vezes no mesmo lugar. Rodrigues era da equipe de bordo de um dos aviões do grupo de transporte da Presidência da República. Uma de suas funções era cuidar da bagagem da cabine do avião. A aeronave militar da Presidência lhe dava o disfarce perfeito para o papel de “mula qualificada” e para os criminosos que o cooptaram.

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