Militão nega participação na máfia das ambulâncias

O deputado José Militão (PTB-MG) voltou a negar qualquer participação na máfia das ambulâncias, em depoimento ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara nesta quinta-feira. Ele é citado no relatório da CPI dos Sanguessugas como o parlamentar que teria editado emendas orçamentárias para a compra de ambulâncias superfaturadas.O deputado reafirmou que, como parlamentar especialista em tributos, apenas fez o contato entre a família Vedoin, acusada de chefiar a ´máfia das ambulâncias´, que estaria interessada em conhecer os incentivos para a transferência da fábrica da Planam (empresa da família) para Sete Lagoas (MG), e o secretário de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais. Militão garantiu que, quando conheceu os Vedoin, não sabia das atividades suspeitas da Planam. "Não vi nenhum sinal de banditismo na testa deles", afirmou. No entanto, disse ter sabido, mais tarde, que a família pressionou prefeitos para que a sua empresa fosse beneficiada nas licitações.O deputado contou que os prefeitos de São João Batista do Glória e Luminárias, ambas em Minas, lhe telefonaram para falar dessa pressão. "Eles diziam que, se não comprassem da Planam, as emendas não seriam liberadas", relatou. O deputado teria dito aos prefeitos que fizessem a compra de quem quisessem, pois as emendas eram dele e seriam liberadas sim.Primeiro contatoMilitão garantiu que seu primeiro contato com o empresário Darci Vedoin aconteceu em março ou abril de 2004, quando o recebeu em seu gabinete, a pedido do deputado Nilton Capixaba (PTB-RO).Na ocasião, Darci Vedoin teria dito que havia sido chamado pela Iveco (empresa do Grupo Fiat) para instalar a fábrica da Planam em Sete Lagoas. Militão explicou que foi então que marcou a audiência com o secretário de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais para que informasse que vantagens tributárias o empresário teria se a fábrica fosse para o estado.Militão afirmou que Darci Vedoin chegou no dia da audiência a seu escritório em Belo Horizonte acompanhado do filho e sócio, Luiz Antônio Vedoin. "Não o conhecia até então", disse, em referência a Luiz Antônio.Doações de campanhaDe acordo com o relato do deputado, "por coincidência", estava em seu escritório na ocasião o amigo Auler Coelho, então candidato a vice-prefeito de Porteirinha (MG). Ao saber da candidatura de Coelho, Darci teria se colocado à disposição para ajudá-lo. Os depósitos no total de R$ 10 mil feitos por Luiz Antônio Vedoin nas contas de Auler Coelho e Ricardo Paes seriam, então, doações de campanha. Militão disse não conhecer Paes, que teria recebido o dinheiro por ter prestado serviço a Auler Coelho.Para o deputado, pode ter sido para justificar esses depósitos que os Vedoin o acusaram, dizendo que os depósitos foram feitos a pedido do parlamentar, como comissão pela apresentação de emendas para alimentar as fraudes da máfia das ambulâncias. Militão informou ainda que, na saída da audiência com o secretário de Desenvolvimento Econômico, Darci Vedoin falou sobre a possibilidade de doação de ambulâncias para programas sociais. Segundo o deputado, foi para saber se essa doação se concretizaria que o assessor de seu gabinete Paulo Eduardo ligou para Luiz Antônio Vedoin. "Por causa dessa gravação de 15 segundos, meu nome apareceu na máfia das sanguessugas, levando à minha derrota nas últimas eleições", queixou-se.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.