Militantes são detidos em protesto

Vestidos de franciscanos, jovens do PPS levavam chinelos para senadores

Ana Paula Scinocca, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

10 de outubro de 2007 | 00h00

Foi um dia quente dentro e fora do plenário. Antes de Renan Calheiros (PMDB-AL) ser submetido a uma saraivada de discursos pedindo seu afastamento da presidência do Senado, uma manifestação de sete militantes jovens do PPS transformou em praça de guerra os corredores da Casa. Vestidos de monges franciscanos, eles carregavam chinelos de dedo para presentear os senadores.Os manifestantes foram barrados por um batalhão de seguranças. Houve tumulto, troca de socos e pontapés. Duas semanas atrás, depois que os governistas do PMDB ajudaram a enterrar a Medida Provisória 377 (que criaria a Secretaria Especial de Planejamento de Longo Prazo), o senador Wellington Salgado (PMDB-MG) disse que os peemedebistas não queriam cargos, só uns "chinelinhos" e uma "roupinha de franciscanos" novos. Salgado faz parte da tropa de choque de Renan.Ao fim de dez minutos de muita truculência por parte dos seguranças, os manifestantes do PPS foram detidos. Informados do episódio, os senadores do PMDB Jarbas Vasconcelos (PE) e Pedro Simon (RS) correram até a Polícia do Senado na tentativa de fazer com que os seguranças soltassem os militantes do PPS. Saíram dez minutos depois, sem sucesso e revoltados."Ninguém ouve mais um senador da República. Chegamos a tal ponto que nem o policial do Senado atende ao apelo de um parlamentar", disse Jarbas. "Tudo isso é o resultado do clima do Senado." Simon fez coro e responsabilizou Renan pelo incidente. "As manifestações mostram o sentimento da sociedade e o momento difícil que o Senado vive. Tudo tem um único culpado, que é o senhor Renan Calheiros. Espero que ele saia, ou deixará o Senado da pior maneira: humilhando e levando a Casa ao ridículo." Jarbas e Simon foram destituídos da Comissão de Constituição e Justiça do Senado na semana passada e também atribuem o fato a articulações do presidente da Casa.A Polícia do Senado justificou a prisão dos jovens amparada no regimento interno, que não permite manifestações nas dependências internas do prédio. Os jovens resistiram e só foram soltos depois de assinarem termo negando terem sofrido agressões, bem diferente do que foi registrado pelas câmeras de jornais e TVs. FRASESJarbas VasconcelosSenador (PMDB-PE)"Ninguém ouve mais um senador da República. Chegamos a tal ponto que nem o policial do Senado atende ao apelo de um parlamentar""Tudo isso é o resultado do clima do Senado"Pedro SimonSenador (PMDB-RS)"As manifestações mostram o sentimento da sociedade e o momento difícil que o Senado vive. Tudo tem um único culpado, que é o senhor Renan Calheiros. Espero que ele saia, ou deixará o Senado da pior maneira: humilhando e levando a Casa ao ridículo"

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.