Militantes esperam por chegada de Lula no Congresso do PT

Ele foi o grande ausente na abertura do congresso; irritado, avisou que não quer desagravo aos mensaleiros

Wilson Tosta, do Estadão,

01 de setembro de 2007 | 09h54

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está sendo aguardado no Centro de Exposições Imigrantes, onde o Partido dos Trabalhadores faz seu terceiro congresso nacional. Uma longa fila de militantes petistas e delegados do congresso passa por revista, feita pela segurança da Presidência da República.   Lula foi o grande ausente na abertura do 3º Congresso do PT, na noite de sexta-feira, 31. Irritado ao saber que petistas fariam um desagravo ao ex-chefe da Casa Civil José Dirceu e ao deputado José Genoino (SP), réus no processo criminal aberto há quatro dias pelo Supremo Tribunal Federal (STF), ele mandou um recado aos dirigentes do PT: disse não querer ver o escândalo do mensalão invadindo o encontro, que vai até amanhã.Lula faria a abertura do congresso à noite, mas adiou o pronunciamento para este sábado, pela manhã. Ficou muito contrariado ao saber que integrantes do antigo Campo Majoritário pregaram o desagravo aos petistas acusados de corrupção ativa e formação de quadrilha, embora seja pessoalmente solidário a alguns deles."Transformar o congresso num ato de desagravo ou num ajuste de contas é aceitar a pauta da oposição", disse o presidente, em conversas reservadas, de acordo com auxiliares. Lula insistiu em que o encontro do PT deve discutir as reformas do partido e a renovação da direção. Ele avalia que entrar no debate sobre o mensalão exporia o governo e, de quebra, ainda provocaria um feroz embate entre as tendências.Dirceu concordou com Lula. "Eu não acho que o partido deva me defender. O PT deve defender o governo." Ao entrar no plenário do Centro de Exposições Imigrantes, onde se realiza o Congresso, o ex-ministro foi aclamado de pé. Antes, Genoino repetiu várias vezes que só espera justiça. "A verdade vai me defender no Supremo." Dezenas de militantes se levantaram para cumprimentá-lo.Na lista dos que foram despachados para o banco dos réus pelo STF, o deputado João Paulo Cunha (SP) adotou tom mais emocionado. "Eu deixaria todos os meus mandatos, toda a minha militância política, para não ter tido um minuto dessa tormenta, que é muito dura", disse.Antes da chegada dos petistas acusados o presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), conversou com militantes de outras correntes. Estava preocupado com a informação de que integrantes da corrente Mensagem ao Partido, capitaneada pelo ministro da Justiça, Tarso Genro, vaiariam Dirceu. Tarso é o maior adversário do ex-chefe da Casa Civil no PT.Tarso disse que a presença dos petistas acusados pelo STF "não causa desconforto". "Estão aqui na condição de legalidade. Vão responder a processo. São membros do partido e não foram punidos." Foi Berzoini que costurou um acordo para que não ocorressem hostilidades no plenário. Questionado sobre a ausência de Lula ontem, Berzoini disse que o presidente "julgou mais produtivo" fazer um pronunciamento político mais longo do que apenas uma saudação. Afirmou, ainda, não haver nenhum "ato coletivo" programado de solidariedade. "O que há são manifestações individuais de pessoas solidárias com companheiros, que merecem todo o nosso respeito." var keywords = "";

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