Fernando Bizerra|EFE
Fernando Bizerra|EFE

Militantes de movimentos sociais e do PT começam desocupação pacífica do Planalto

Grupos que fez o protesto em resistência ao impeachment da presidente Dilma Rousseff promete fazer um ato na Praça dos Três Poderes

Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

09 de maio de 2016 | 16h37

BRASÍLIA - Após quatro horas de ocupação, os cerca de cem manifestantes de diversos movimentos sociais decidiram deixar pacificamente o Palácio do Planalto, conforme acordo feito com o ministro da Secretaria de Governo, Ricardo Berzoini, e o deputado Paulo Pimenta (PT-RS). “Nós já fomos vitoriosos com o movimento porque conseguimos mostrar à sociedade e ao mundo que temos capacidade de resistir”, declarou o deputado.

Paulo Pimenta comunicou aos militantes, em assembleia no Salão Nobre do Planalto, que foi assegurado na negociação com Berzoini que 1500 integrantes dos movimentos poderão voltar ao Palácio, para um novo ato com a presença da presidente Dilma Rousseff, na quarta-feira, 11, se for confirmada a sessão de votação no plenário do Senado autorizando a abertura do processo de impeachment, ou no dia que ela for acontecer.

“Por isso, é preciso que a gente não erre para não derrubar o que conquistamos”, ponderou o parlamentar ao propor a saída de todos, “o quanto antes”, para que, “unidos”, pudessem participar de um ato que anunciou que seria realizado na Praça dos Três Poderes, em resistência à saída de Dilma do governo, às 18 horas.

Antes de concordarem, alguns dos presentes resistiram e anunciaram que não sairiam do Planalto “porque já estavam ali e ali permaneceriam”. Um deles foi um representante da União Nacional dos Estudantes (UNE), Felipe Malhão, que questionava. “Por que tenho de sair? Porque se não o Exército vai entrar? Não podemos aceitar isso. Por mim, se for para ter votação esta semana, temos de ficar aqui para esperar”, disse ele ao Estado. Ele se referia à informação repassada pelo deputado Pimenta, de que a permanência no local “trazia riscos” porque “poderiam isolar a área por questão de segurança” e que o governo do Distrito Federal e o Exército poderiam ser acionados.

Paulo Pimenta insistiu que foi feita uma negociação, que “todos precisam deixar unidos o Palácio para cumprir o que foi acordado”. E emendou: “já deu”. Os apelos dele foram reforçados pela secretária de Mulheres do PT do DF, Laisy Moriére, que foi enfática: “nós temos de sair”. Às 16h10, depois de mais alguns discursos e palavras de ordem, pacificamente, todos seguiram em direção ao elevadores, tiraram as faixas e cartazes que estavam dependurados e foram embora, mas prometendo voltar.

Houve alguns momentos de tensão quando seguranças que estavam postados no Salão Nobre começaram a recolher cadeiras e alguns militantes se revoltaram. Mas o episódio acabou sendo contornado. Enquanto ocuparam o local, os manifestantes dançaram uma ciranda, de mãos dadas, e fizeram um círculo em torno de bandeiras estendidas no chão, de movimentos como Central Única dos Trabalhadores (CUT), União Nacional dos Estudantes (UNE), Movimento Nacional de Luta pela Moradia (MNLP), entre outros. "Pisa ligeiro, pisa ligeiro, quem não pode com a formiga não assanha o formigueiro", cantaram em coro.

Depois da desocupação, o chefe da Casa Militar, general Marco Antonio Amaro dos Santos disse que “tudo foi resolvido da melhor maneira possível, com diálogo, sem tumulto e de maneira pacífica”. O general preferiu falar que o que houve “foi uma manifestação e não uma ocupação” do Palácio do Planalto. Mas ressalvou que, “se houvesse necessidade”, teria de agir, embora, “antes de qualquer medida de força, sempre ocorrerá a negociação”.

Os manifestantes participavam da cerimônia de criação de novas universidades e escolas técnicas no Palácio do Planalto, na manhã de hoje, quando anunciaram a decisão de continuar no salão em um movimento contrário ao impeachment. Depois da negociação com o ministro e o parlamentar, alguns integrantes do grupo mostraram resistência em sair, mas acabaram iniciando a desocupação pacificamente. 

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