Militantes convocam ato pró-governo para domingo na Paulista

Manifestação deve concorrer com outra, pelo impeachment de Dilma, em mesma data e local

Vera Rosa, O Estado de S.Paulo

06 de março de 2016 | 23h05

BRASÍLIA - Militantes do PT, do PC do B e de movimentos sociais decidiram fazer um ato na Avenida Paulista, em São Paulo, no próximo domingo, para defender a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. 

O ato está sendo chamado pelas redes sociais como contraponto às manifestações pelo impeachment de Dilma, também marcadas para domingo, em todo o País, com expectativa de maior concentração justamente na Avenida Paulista.

Uma das convocações traz a seguinte mensagem: "A campanha 2018 começou! Militância nas ruas dia 13/03/2016 (...)". O panfleto virtual também critica a imprensa. "Vamos dar à Globo golpista um espetáculo para ficar na história. É hora de sufocar a marcha golpista!", diz o texto.

 

Segundo dirigentes do PT e do PC do B, a manifestação é espontânea e não está sendo organizada pelos partidos. Em conversas reservadas, porém, parlamentares petistas consideraram "uma provocação" o fato de o protesto contra o governo ser marcado para o dia 13, número do PT.

Na sexta-feira, Lula foi obrigado a prestar depoimento à Polícia Federal, no âmbito da Operação Lava Jato. Houve confronto entre manifestantes pró e contra o ex-presidente.

Em pronunciamento naquele dia, Lula disse que se sentiu "prisioneiro" e anunciou sua candidatura à sucessão de Dilma, em 2018. A presidente mostrou "inconformismo" com a condução coercitiva de Lula para prestar depoimento e o visitou neste domingo, em São Bernardo do Campo, para prestar solidariedade.

A força-tarefa da Lava Jato suspeita que Lula seja dono de um triplex no Guarujá reformado pela empreiteira OAS e de um sítio em Atibaia, que recebeu benfeitorias de empresas hoje investigadas pela Polícia Federal por envolvimento no esquema de corrupção da Petrobrás. Lula sempre negou a propriedade dos imóveis.

Em nota divulgada no sábado, o juiz Sérgio Moro, que conduz as investigações da Lava Jato, lamentou que "as diligências tenham levado a pontuais confrontos em manifestações políticas inflamadas, com agressões a inocentes, exatamente o que se pretendia evitar". Moro destacou ainda que as medidas tomadas na sexta-feira atenderam à solicitação do Ministério Público e "não significam antecipação de culpa do ex-presidente".

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