Militante dos direitos humanos questiona status de ministério para secretarias

'É muito ruído para pouco trabalho', diz Jair Krische. Em entrevista, ele vê que é importante ter pasta dedicada à área, mas critica falta de integração e envolvimento do próprio governo no setor

Leonencio Nossa - O Estado de S. Paulo,

27 de julho de 2013 | 19h46

BRASÍLIA - Para o gaúcho Jair Krische, de 74 anos, fundador do Movimento de Justiça e Direitos Humanos, ter uma pasta específica para o setor é importante, mas falta integrar a atuação de áreas afim, como as políticas para as minorias, e o envolvimento do próprio governo nas questões. "Houve aumento de espaço na estrutura do governo para implantar projetos que não foram implantados", afirma. "É muito ruído para pouco trabalho."

Como o senhor avalia a função da pasta de Direitos Humanos?

É uma pasta de muita importância levando em conta a nossa história de violação de direitos humanos. Há necessidade, claro. Agora, o número de projetos que o governo se envolveu resultou mais na criação de ministérios que em avanços concretos. Nessa caminhada, acabaram desvinculando as questões dos direitos humanos, das mulheres e dos negros. O governo criou secretarias e ministérios. Para nós, pode ser secretaria ou ministério. O que importa é o envolvimento do governo na área, o que não há. Houve aumento de espaço na estrutura do governo para implantar projetos que não foram implantados. Fizeram projetos ambiciosos, mas pouco objetivos. Basta ver a série de planos nacionais de direitos humanos. São ambições que não resultam em nada. É muito ruído para pouco trabalho.

E como analisa a separação de políticas de direitos humanos por Pastas?

As questões da mulher, do negro e dos direitos humanos devem estar mais juntas para termos eficiência e força. É uma área só.

A escolha de pessoal para essa área atende critérios técnicos?

No Brasil, temos pessoas altamente qualificadas para atuar nessa área. Mas a gente acaba vendo apenas a companheirada nos cargos. Tenho que ficar ouvindo que a ministra Maria do Rosário montou seu CTG (Centro de Tradições Gaúchas) em Brasília. É uma gauchada que está lá, infelizmente tenho que dizer isso. É como no Congresso. Os parlamentares indicam cabos eleitorais para cargos de assessores em vez de nomear pessoas qualificadas. A ministra não se posiciona sobre problemas nacionais e não propõe nada. Agora, mesmo, nesses protestos de ruas, ficou claro o problema da baixa qualificação das nossas polícias. A polícia militar bate e a civil, que é cartorial, não investiga. A ministra poderia minimamente propor uma discussão. A função de uma autoridade de direitos humanos é interrogar quem governa, dizer se há observância em direitos humanos.

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