Miguel Stédile diz que não há clima de enfrentamento

Um dos coordenadores do Movimento dos Sem Terra (MST) no Rio Grande do Sul, Miguel Stédile, disse hoje que não existe um clima de enfrentamento do movimento com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Quando o Lula tomou posse, disseram que daríamos uma trégua de 120 dias. Só dá trégua quem está em guerra e este não é o nosso caso", reiterou. Apesar da afirmação, Stédile destacou que o movimento continua mobilizado e preparado para o dia nacional de mobilização, em 17 de abril. "Se haverá invasões ou não, vai depender da conjuntura e dos entendimentos", completou.Para o dirigente do MST, a reforma agrária ainda não deslanchou. Porém, ele acredita que a equipe do governo Lula que cuida do assunto tem uma grande vantagem com relação à equipe do governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. "O Rosseto (ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rosseto) e o Resende (atual presidente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, o Incra, o geógrafo Marcelo Resende) mostram desejo para o diálogo permanente e profundo e respeito aos movimentos populares e isso já é um sinal muito positivo."Sobre o dia nacional de luta, 17 de abril, data em que o MST relembra o massacre de Eldorado dos Carajás, ocorrido em 1996, Miguel Stédile destaca que ainda não há uma posição fechada a respeito da maneira como a mobilização será feita. "A linha política ainda está sendo definida", destacou. Para ele, independente da questão agrária, o dia 17 de abril deve ser lembrado, inclusive pelo fato de os responsáveis pelo massacre ainda estarem sem punição.

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