Mídia prefere desgraça, afirma Lula

Ele volta a defender Sarney, se diz cansado de escândalos que não dão em nada e cobra divulgação de avanços

Felipe Werneck e Alexandre Rodrigues, O Estadao de S.Paulo

24 de junho de 2009 | 00h00

Depois de reclamar da "predileção pela desgraça" dos jornais na cobertura de denúncias envolvendo o Senado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu ontem uma reforma política e disse que "será muito difícil evitar que essas coisas aconteçam" se a estrutura partidária continuar como está. Ele comentava a crise em torno dos atos secretos no Senado.Lula afirmou que há "coisas mais importantes para discutir". "Não vamos fazer disso uma causa nacional." Reiterou que o povo já viu muitos escândalos, que depois não resultaram em nada. "Temos a chance a cada quatro anos de mudar as coisas. Em 2010 tem eleição. É oportunidade extraordinária para o povo escolher as pessoas que entende que sejam as melhores para governar o País."Problema do Senado deve ser resolvido pelo Senado, disse Lula. "Para chegar ao Senado, é preciso ter mais de 35 anos. Se tem problema, só tem uma solução: é consertar o problema. Se não tiver problema, é mostrar que não tem. E foi essa a disposição do presidente José Sarney na conversa que tive com ele."OBRASO presidente já havia feito referência à crise no Senado durante os 26 minutos de discurso no lançamento de obras para a reforma da zona portuária do Rio. "É uma coisa absurda. Depois da crise econômica, a gente teve no mês de maio cento e poucos mil empregos positivos. Mas a manchete é o emprego no Senado. É uma perda de valor", declarou. "Uma coisa que eu não consigo entender é a predileção pela desgraça."Noticiada ontem, a geração de 131 mil postos de trabalho com carteira assinada em maio, no saldo de contratações e demissões, foi a maior desde o agravamento da crise financeira. Trata-se, porém, do pior resultado neste mês dos últimos dez anos e o País ainda está longe de repor todas as vagas fechadas desde o fim de 2008.Em outro momento, sem se referir à repercussão da crise no Senado, Lula disse que o povo "não aguenta mais que as coisas secundárias sejam transformadas em prioritárias e as prioritárias sejam esquecidas".Participaram do anúncio de obras na zona portuária o governador Sérgio Cabral Filho e o prefeito Eduardo Paes, ambos do PMDB. Estão previstos investimentos de R$ 374 milhões em infraestrutura (reurbanização da Praça Mauá e entorno, do Morro da Conceição e do Píer Mauá, além da construção de garagem subterrânea), habitação (criação de 499 residências com recuperação de imóveis), cultura (instalação da Pinacoteca no edifício D. João VI) e entretenimento (construção do Museu do Amanhã).

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