Michel Temer diz que PMDB quer identidade própria

O presidente nacional do PMDB, Michel Temer, garante que o seu partido buscará uma candidatura própria à Presidência da República em 2006. A decisão final, no entanto, só será sacramentada na convenção a ser realizada no próximo dia 12. Em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, ele adiantou que, caso a convenção decida pelo lançamento de uma candidatura própria à Presidência, o candidato do partido deverá ser escolhido durante convenções primárias a serem realizadas nos Estados, semelhantes ao sistema adotado nas eleições americanas."E tem de ser agora, porque você tem de ter os candidatos percorrendo o País para vitalizar o PMDB", garantiu Temer. "E depois, em 2006, a partir de março ou abril, fazer uma campanha para a Presidência da República."Ambigüidade lucrativaMichel Temer admitiu que durante muito tempo o PMDB viveu uma dualidade provocada pela divisão interna existente no partido entre ser aliado do governo e oposição que, no final das contas, acabou lhe rendendo dividendos. "Eu até diria que o PMDB desfrutou essa ambigüidade. Mas hoje eu começo a perceber que esta ambigüidade passa a ser uma coisa autofágica", ponderou.Segundo ele, sem projeto, o PMDB acabou se distanciando dos seus eleitores: "Ou nós nos refazemos desse equívoco agora, ou nós concordamos com a condição de satélites de qualquer outro partido."Reaproximação com o PSDBO presidente nacional do PMDB procurou negar que por trás do movimento dos que pretendem deixar a base aliada estaria a articulação de uma aliança com o PSDB. "A tese central é de que o PMDB vai ter o seu projeto", afirmou o líder peemedebista, sem contudo garantir que essa idéia seja a majoritária ou a definitiva. "De qualquer maneira, eu acharia útil que nós zerássemos esse jogo neste momento para que o PMDB tivesse liberdade absoluta. Pode ser até que, lá para a frente, haja uma coalizão com o PT."Emendas dos parlamentaresAinda durante a entrevista ao Roda Viva, Michel Temer avalizou a posição dos partidos da base aliada de exigir a liberação das verbas de emendas orçamentárias dos parlamentares obstruindo as votações no Congresso. Ele justificou lembrando que a lei orçamentária deve ser efetivamente cumprida pelo governo. "O governo contingencia determinadas verbas e não libera as emendas", denunciou. "E esta não é a única razão que paralisa os trabalhos do Congresso. Há pelo menos uma questão política, que é a questão da reeleição."

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